Ao contrário do que muitos pensam, eu não sou anti social. Eu sou bem sociável na verdade, apenas não forço relacionamento ou atitudes para agradar os outros ou fazer o status de estar em uma mesa que não me agrega absolutamente nada a não ser um interesse pessoal e supérfluo de uma aparência que eu nem quero. Essa roupa não me serve e não preciso fingir. Eu gosto na verdade de uma boa conversa, de ouvir coisas, pessoas, direções que são novas para minha mente inquieta. Quando ouço os outros falarem, a minha mente fica quieta escutando atentamente.
Observo as expressões que o rosto faz ao se empolgar em contar algo realmente alegre, o sorriso dos olhos e os lábios tímidos já quase sem batom de tão animador que foi falar por trinta minutos sobre aquela lembrança feliz. Ou, sobre o olhar baixo e as mãos constrangidas mexendo em um guarda napo amassado sobre os últimos dez minutos comentando sobre algo que realmente machucou e ainda não cicatrizou. A ferida aberta, exposta, mas a confiança de que eu vou ouvir tudo isso e não vou usar depois para criar outra ferida ainda maior. Com uma esperança silenciosa de que em algum lugar exista alguém que não venha pra tirar, e sim pra entender.
E embora eu fuja de contatos físicos, quando precisar de um abraço não exite. Venha sem pedir. Porque no fim do dia oferecemos aquilo que somos, aquilo que temos. Durante muito tempo tentei entender porque algumas pessoas machucam quem foi boa pra elas. Até perceber algo simples: as pessoas não oferecem aquilo que você merece, elas oferecem aquilo que tem dentro delas. Quem tem empatia, entrega cuidado. Quem tem frieza, entrega distância. Quem tem amor, entrega presença. No fim das contas cada pessoa revela o tamanho da própria essência. E não adianta tentarmos plantar em solos que não querem florescer. Alguns solos são apenas caminhos para grandes jardins. Atitudes mudam sentimentos.

