2017/04/22

Dia 2374



Esqueça as coisas que você acha que sabe agora. Pare o que esta fazendo. Desimporte-se (essa palavra existe?) das coisas que você crê que agora nesse exato momento são importantes. Vamos falar sobre o que esta acontecendo? Sobre coisas que realmente importam? Sobre aquelas coisas que você nem sabe que estão rolando.
Quinta-feira na hora do meu almoço vi um video do Felipe Neto falando sobre o jogo da baleia azul que anda circulando na internet. Deixemos de lado toda e qualquer asneira que esse cara já falou na internet. Afinal, a asneira dele faz sentido para ele e para mais um monte de gente assim como as minhas. Expomos nossa opinião e de vez em quando encontramos pessoas que se identificam. Dessa vez naquele video ele foi bem instrutivo e mostrou dados que a maioria não sabe. Mostrou informações que a maioria não sabe, principalmente sobre depressão.
Não é sobre o jogo da baleia. Não é sobre 13 reasons why. É sobre depressão. Ainda tabo para alguns casos, ainda drama para algumas pessoas e ainda falta de fé para algumas visões. Mas tudo isso é muito sério. Ainda mais sobre os adolescentes de hoje, nessa geração de viver dentro do celular e em seus mundinhos particulares. Eu sei o que é isso. É, eu sei bem o que é isso. Porque eu tenho depressão. Vou repetir: EU TENHO DEPRESSÃO. De longe não é algo para ter orgulho de sair espalhando por ai. Por isso não falamos. Bom, até agora.
Vivo com isso desde meus 18 anos e já tentei acabar com tudo. É verdade. Lembram de 2010? Junho. Então, é isso. Foi nessa hora que Deus me tirou do meio da rua e me jogou pra calçada dizendo "Não estrague meus planos para você. Você só tem mais uma chance, faça valer a pena". Eu tinha 17 anos. Lá pelos dias 300 tem um pedaço dessa história. Desde então eu venho brigando quase todo dia pensando que isso não é maior que eu. Mas o bicho pegou em 2012. Tinha dores de cabeça terríveis. Não conseguia dormir. Tinha perdido o emprego, a garota e qualquer razão que me fizesse continuar. E eu lá tinha escolha a não ser continuar? Não.
Eu não rezava na época. Não conversava com ninguém também. Procurei outras saídas. Afinal, um escritor nunca está verdadeiramente sozinho, sempre haverá alguém para invadir o seu mundo e adorar a sua loucurar. Enfim, minha vida foi desenrolando e não parei por mais que minha cabeça pedisse isso e meu corpo exigisse mais de mim do que eu conseguia dar. Emagreci quase 20kg, ainda não conseguia dormir e as dores de cabeça só pioravam. Foi ai que comecei a trabalhar de madrugada porque já que não conseguia dormir mas ainda sim tinha que pagar as contas... E também outro de dia para fazer algo durante o tempo livre (para pessoas como nós, uma hora é muito tempo para ficar sem fazer nada). 
O tempo foi passando, as pessoas na minha vida também. Vários relacionamentos mas para nenhum deles me abri pedindo ajuda. Quase sempre a primeira impressão disso é que não é sério. Quase sempre a atenção que deveria ser voltada á isso, não é. E eu sempre detestei incomodar outras pessoas, então ficava na minha. São anos, casos, vontades, dias com vontades de explodir, dias com vontade de abandonar tudo e dias que deixei pra lá guardados dentro de uma gaveta. Era o que eu sempre fazia, é o que ainda faço. Mas não foi por falta de procurar ajuda não, fiz terapia por quase seis meses sem contar para ninguém (logo eu, que tenho a boca maior do mundo não contar algo dessa magnitude para alguém) mas pois é, ninguém ficou sabendo. 
Mesmo hoje, casado é complicado. Já entendi que não da para simplesmente surtar e querer largar tudo, por mais que a vontade seja grande. Por mais que eu queira ficar deitado na cama sem levantar por um dia inteiro eu tenho que levantar. O café não vai se fazer sozinho. Por mais que eu queira balançar algumas pessoas e dizer "porra, presta atenção nisso" já entendi que tem que ser eu e mais ninguém. Sempre foi eu. O mundo é cruel e te deixa sozinho. Dai você tem que arranjar força de onde nem achava que tinha, mas você tem. Para sabermos a resistência da nossa âncora, precisamos enfrentar a tempestade.
Mas não é drama, não é falta de fé... A gente acaba uma hora ou outra perdendo o tesão pela vida. Sabemos que temos que dar a volta por cima. Sabemos como reagir. Mas ninguém ensina como e aprender uma lição dessas sozinho ás vezes leva tempo. Somos responsáveis por esses tais dias melhores. Já sabemos também. Ás vezes tudo que precisamos é de um hobby ou de saber exatamente do que gostamos e nos empenhar nisso. Gosto de jazz, de vinho, de séries na Netflix, de escrever, de sexo, de café, da natureza e de ir atrás do que eu quero para minha vida. Outras vezes, só precisamos de alguém que nos abrace e fique. Só que fique, sem questionar. Isso ajuda muito.
Por fim, não se trata de um jogo ou de uma série. Trata-se de uma fuga e todos nós buscamos uma. Algumas pessoas bebem, outras fumam e outras escrevem. Algumas, encontram o fim antes de encontrar o caminho. Não pense que essas pessoas são fracas mas dentro delas estão cansadas de serem fortes o tempo todo e muitas vezes até foram fortes por você e você nem sabia. Para as pessoas que desapontei nesse tempo, me desculpe. Estou tentando melhorar as coisas aqui dentro. Para as pessoas que riem comigo, não me deixa triste, por favor... Eu gosto de rir com você, então não acabe com isso.

2017/04/18

Dia 2373

Quando eu era pequeno, deitava no chão do quintal a noite. Era grande e amplo, sem cobertura. Uma área aberta e o céu se tornava o telhado do mundo inteiro. Sempre deitava de olhos fechados e esperava alguns segundos antes de abrir. Quando abria, parecia que estava caindo... Mas para cima. Com o tempo a gente vai esquecendo de fazer algumas coisas, como olhar o céu por exemplo.
Sinto falta de algumas coisas, algumas que nunca mais vão voltar principalmente do meu antigo eu. Sinto falta de coisas que nunca aconteceram também. Coisas que só eu sei. Esses dias olhei no espelho (de novo) e quase não me reconheci. Quem é esse cara usando minha escova de dentes? Que cara engraçado, tem uma barba esquisita.
Ir ao alto da montanha e gritar ao eco. Sentar na pedra e ver as plantas balançarem com o vento naquela mistura de verdes. Sentir a areia fofinha debaixo dos meus pés como se estivesse pisando em uma nuvem. Sinto falta das árvores e do cheiro de mato molhado pelo breu da noite. Ouvir o vento olhando o horizonte sem relógio no pulso. Subir os 590 degraus da escadaria do Santo Cruzeiro. Ver o sol nascer e se por também.
Rir mas rir de verdade e com gosto. Pão na chapa e café com leite. Tomar banho de chuva. Desenhos animados e um cobertor. Fazer um nova tatuagem. Tomar um chá gelado na Paulista. Jantar em um restaurante japonês na Liberdade a ChinaTown paulista. Sentar debaixo do vão do Masp e ver as crianças brincando. Tomar sorvete no Ibirapuera. Ver as luzes dos prédios na Brigadeiro Faria Lima. Tocar os lábios dela. Os lábios dela...
Eu poderia ser qualquer coisa, trabalhar duro. Um lenhador talvez, afinal a árvore não nega sombra nem a ele. Morar em uma cabana, usar flanela. Ter um cantil e deixar a barba crescer. Ouvir meus passos quebrarem os galhos secos. Canadá, e porque não? O grande porém dessa fantasia é que a probabilidade dela acontecer hoje é zero. A realidade é que estou sentado atrás de uma tela de computador, olhando o relógio do monitor e vendo quantos minutos faltam para a hora do meu almoço acabar.

Respire. Você vai ficar bem. Você já esteve desconfortável, ansioso e chateado antes e lembre-se, sobreviveu. Respire e saiba que você pode sobreviver a isso também. Esses sentimentos não podem destruir você e eles vão passar... Talvez não imediatamente, mas em breve, eles vão ser esquecidos e quando isso acontecer, você vai olhar para trás neste momento por ter duvidado de sua resiliência. Sei que é insuportável, mas continue respirando, de novo e de novo. Isso vai passar. Eu prometo que vai passar.
Meu bem, estou deitado de olhos fechados agora.

2017/04/16

Dia 2372

Tenho vinte e tantos anos. Chamam de ‘crise do quarto de vida’. Essa é a época da vida que começamos a ter que nos organizar, quase tudo cabe em uma planilha. Temos que organizar os horários para trabalho, estudo, namorado(a) etc... E cada vez desfrutamos mais dessa cervejinha que serve como desculpa para conversar um pouco. As multidões já não são ‘tão divertidas’ e ás vezes até nos incomodam. Prazer Netflix, obrigado pela companhia minhas almofadas fofinhas.
Algumas pessoas nos cansam demais. A gente se cansa demais. Percebemos que estamos envelhecendo antes dos trinta quando ao invés de perder tempo tentando mostrar nosso ponto de vista (por mais que tenhamos razão) para outras pessoas, apenas deixamos para lá os debates sobre qualquer coisa e deixamos elas com a razão delas. Na verdade começamos a deixar para lá muitas coisas para não nos cansar mentalmente, fisicamente e de alma. A vida meus caros, essa nos exige demais para nos importarmos com qualquer coisa.


Rimos com mais vontade, mas choramos com menos lágrimas e mais dor. Partem seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto pôde lhe fazer tanto mal. Ou, talvez, a noite você se lembre e se pergunte por que não pode conhecer alguém o suficiente interessante para querer conhecê-lo melhor. Parece que todos que você conhece já estão namorando há anos e alguns começam a se casar. Talvez você também, realmente, ame alguém, mas, simplesmente, não tem certeza se está preparado (a) para se comprometer pelo resto da vida. Os rolês e encontros de uma noite começam a parecer baratos e ficar bêbado(a) e agir como um(a) idiota começa a parecer, realmente, estúpido. Sair três vezes por final de semana lhe deixa esgotado(a) e significa muito dinheiro para seu pequeno salário.
Olha para o seu trabalho e, talvez, não esteja nem perto do que pensava que estaria fazendo. Ou, talvez, esteja procurando algum trabalho e pensa que tem que começar de baixo e isso lhe dá um pouco de medo. Dia a dia, você trata de começar a se entender, sobre o que quer e o que não quer. Suas opiniões se tornam mais fortes. Suas idéias mais precisas e seus ideais mais precisos. 
Vê o que os outros estão fazendo e se encontra julgando um pouco mais do que o normal, porque, de repente, você tem certos laços em sua vida e adiciona coisas a sua lista do que é aceitável e do que não é. Às vezes, você se sente genial e invencível, outras… Apenas com medo e confuso (a). De repente, você trata de se obstinar ao passado, mas se dá conta de que o passado se distancia mais e que não há outra opção a não ser continuar avançando. Você se preocupa com o futuro, empréstimos, dinheiro… E com construir uma vida para você. E enquanto ganhar a carreira seria grandioso, você não queria estar competindo nela. Quer apenas pessoas com que você possa trabalhar e passar seu dia sem ficar estressado ou xingando por estar muito atarefado e recebendo diversas cobranças de uma vez. Isso nos envelhece mais que o tempo.
O que, talvez, você não se dê conta, é que todos que estamos lendo esse texto nos identificamos com ele. Todos nós que temos ‘vinte e tantos’ e gostaríamos de voltar alguns anos que seja. Parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça… Mas TODOS dizem que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de aproveitá-la por causa dos nossos medos…  Dizem que esses tempos são o cimento do nosso futuro. Parece que foi ontem que tínhamos 16. Então, amanhã teremos 30?! Assim tão rápido? Façamos valer nosso tempo, que ele não passe! Ás vezes a gente só esquece de ver o sol nascer.
Vamos sair da nossa zona de conforto, fazer o impossível. Só se vive uma vez, não é verdade? Quando somos crianças caímos e aprendemos a nos levantar rápido. Isso nos torna cada vez mais fortes. Quando crescemos, levantar a cada vez que caímos vai ficando cada vez mais difícil. Permita-se começar novamente, é lindo. Permita-se começar novamente, é lindo.


2017/04/13

Dia 2371

Eu acendi um cigarro e fiquei esperando a brasa queimar. A fumaça fazia um desenho no ar e eu não conseguia parar de pensar. Havia um par de sapatos pretos de salto no meio do quarto, um sutiã pendurado na cadeira ao lado de uma camisa social branca amassada no assento. Um vestido de cetim curto amontoado ali perto. Uma garrafa de vinho vazia na cômoda e marca de batom na taça. Havia mais uma taça deitada em frente a garrafa. Um par de brincos e um colar também. Uma bolsa de mão, preta de zíper dourado. Deve ser de alguma marca famosa.


O toca discos rodava e a agulha procurava o que tocar. Quantas horas já se passaram? Levantei-a com o dedo para colocar ela no inicio. Começou a tocar uma música gostosa de ambiente, do tipo que tocam no The Orleans Music Bar ali em Pinheiros. Aquela música que você acompanha a batida com o estalar dos dedos ou com o calcanhar no chão levantando a ponta dos pés a cada batida. Eu tragava o cigarro e fechava os olhos para sentir a música. Estava em frente a janela e chovia muito naquela noite.
Alguns trovões caiam no horizonte em meio aos prédios. Era bonito ver a chuva caindo forte na iluminação da rua. O quarto estava com um cheiro bom de perfume de mulher. Cheiro de mulher, de pele de mulher... Isso é tão sexy. Mas, como eu disse antes não conseguia parar de pensar. Agora ela esta dormindo sereno com o rosto no meu travesseiro. Esta nua debaixo dos lençóis brancos. Olhei no relógio e são 3 da manhã. Uma hora atrás ela estava descendo o vestido pelo seu quadril sem soltar a taça de vinho.


Uma hora atrás ninguém dormia mas parecia um sonho. Ela parece um sonho. Por mais que não saiba, o corpo dela parece um desenho feito a mão. É tão suave, tão feminino e tão sexy que sempre quando estou perto dela tenho vontade de tê-la para mim. É incrível o tesão que essa mulher me causa em absolutas vezes que estamos a sós. Tudo isso porque ela é toda minha e eu sou todo dela. E isso que acontece é tão nosso. Não há espaço para mais nada além de nós aqui.
Nem percebo quando ela levanta, me abraça por trás colocando as mãos no meu peito e encostando o rosto nas minhas costas. As unhas dela acariciam meu peito de leve. Tem um jeito todo dela de fazer acontecer, de se fazer presente de não desaparecer. É por essas e outras que faço tudo por ela. Tudo por mais um beijo, por mais um abraço, por mais um sorriso. Quantas pessoas completam você só por estarem ali? Quantas pessoas fazem você se sentir raro, puro e especial?

2017/04/12

Dia 2370


Isso é realmente necessário? Digo, o quarto ficou pequeno, a sala ficou pequena, até a casa ficou pequena. Ela esta deitada na cama só de calcinha. Só de calcinha cara! Ela tem cheiro de perfume doce suave e sexo. Na verdade o quarto inteiro esta cheirando a sexo. Ao fundo toca uma batida gostosa, como se fosse um jazz sexy. Fico sentado na velha poltrona de canto, com o braço apoiado e a mão no queixo olhando para ela. Ela olha de volta. É a cena mais atraente que já estive presente. 
Ninguém sabia que ela estava aqui hoje. Ninguém sabia que ela á algumas horas atrás gritava e gemia enquanto eu estava dentro dela. Ninguém sabia que ela transpirava pelas costas sentada no meu colo com a mão no meu rosto dizendo que me amava. Ninguém sabia que ela se sentia segura deitada no meu peito quando a gente acabava. Ali, naquela hora, era um dos poucos momentos que me sentia importante para alguém. 
Era eu ali com ela. Era meu gozo dentro dela. Eram nossos momentos acontecendo naquele quarto. Ela tinha um lance bacana, nunca me julgou pelas merdas que eu fiz. Ela me perdoava antes mesmo de eu errar. Ela sabia, de alguma forma ela sabia mais de mim do que eu mesmo. É como se ela pudesse me rascunhar a lápis em uma parede branca. Tenho até medo do que ela pode escrever ali.
Pego a câmera, tirei uma foto dela ali deitada. Ela sorri, vira de lado e segura o travesseiro. Os cabelos caem para frente tampando o rosto mas eu sei que ela esta sorrindo ainda. Cara, ela é linda. É tão linda que chega a doer mas não é fisicamente. É aquele lance emocional mesmo. Acho que estou apaixonado. Devo estar! Droga, agora já era. Agora ela pode fazer o que quiser comigo. Espero que ela não me machuque. Espero que ela continue vindo, eu gosto quando ela vem. 
A sirene da policia passa rápido na rua lá fora quebrando a batida gostosa da música. Ela esta deitada ainda, só de calcinha. Ela é um mulherão. Transamos pra caramba, ela gozou umas três vezes. Parece relaxada agora. Daqui a pouco ela me chama pra deitar ali junto dela. Antes de deitar eu sempre faço um café. Ai a casa cheira a café e sexo mas é bom. Estar com ela é bom. Ai baixinho eu sussurro no ouvido dela que eu a amo. A gente fica abraçado o resto da noite. Vai ver isso é felicidade mas ninguém sabe. Ninguém sabe o que é felicidade até não ter mais. Espero que eu tenha isso para sempre. Agora é boa noite, bons sonhos.

2017/04/10

Dia 2369

Esses dias eu vi uma postagem no facebook de uma garota que conheci anos atrás. Pouco conversamos mas sempre acompanho as postagens nas redes sociais. Lá ela faz uma citação sobre mudanças, sobre evolução e amadurecimento e principalmente sobre deixar algumas coisas para trás. "Vai ter textão na timeline sim!". Pelo que ela diz ali, vai revolucionar a vida dela. Espero que não raspe a cabeça e saia por ai gritando "Fora Temer" ou algo do tipo. Mas tudo que foi escrito lá me fez pensar e bastante.
É difícil deixar coisas para trás, principalmente lembranças. As danadas volta e meia retornam sejam por qualquer motivo. Ás vezes até quando estamos dormindo, parece que não temos controle. Bom, para cada lembrança ruim devemos criar duas lembranças boas. Essa proporcionalidade ajuda a esquecermos (ou quase isso) aquilo que um dia nos machucou. Mais ou menos estou dizendo para seguirmos com a vida do melhor jeito que conseguirmos para criar novas lembranças, recentes e cheias de esperança para a felicidade. Aos poucos, a raiva passa, a magoa e tristeza também. Algumas vezes o perdão aparece, outras apenas a apatia prevalece.
Pessoas como eu são colecionadoras de lembranças. Memórias guardadas tão fundas que quase são esquecidas. Mas nunca são. Vamos sempre lembrar de toda a felicidade causada, assim como toda a mágoa também. Pessoas como eu tem ressentimentos antigos guardados no silêncio, ninguém sabe e não temos coragem de compartilhar. Afinal quase ninguém entenderia se nos pronunciássemos porque tal coisa fica rodando na nossa cabeça. Não queremos mas "É a vida" dizemos. As pessoas ficam pensando que esquecemos as histórias, mas não. Somos acumuladores de ideias, criadores de rancor e felicidade ao mesmo tempo. É uma confusão que só Deus entende. Já tentei me explicar para uma ou duas pessoas, não deu muito certo então desisti.
Alguém entra na sua vida, rouba seu tempo, destrói sua confiança, agride sua autoestima, estilhaça o pouco que resta da sua esperança no amor. E sai ileso. Não adianta desperdiçar sofrimento por quem não merece. É como escrever poemas em papel higiênico e limpar o cu com os sentimentos mais nobres. Apenas não funciona. Nos encontramos com alguém tentando fazer parte dessa pessoa e querendo, desejando do fundo do coração que essa pessoa faça parte de nós em retorno. O problema é que na maioria das vezes as pessoas estão preocupadas com outras coisas, com a cabeça em outro lugar...
Mas voltando ao que a minha amiga escreveu, o principal assunto que ficou martelando na minha cabeça é sobre acordar para a vida. Tomar uma decisão certeira e com a certeza de que é aquilo que tem que ser feito. Igual ela fala. Sair da zona de conforto finalmente. A maioria das vezes sempre falamos 'sim' para todas as pessoas e quando dizemos 'não' a história muda. Você já não é mais um bom parceiro. Você não é mais um bom profissional. Você já não é mais um bom amigo. Você já não serve mais tanto quanto antes. Pouco a pouco as pessoas vão roubando de você aquilo que mais brilhava. Que mundo injusto esse que vivemos!
Sobre mudanças, fui obrigado a me renovar mais de uma vez para não acabar morrendo de dentro para fora. Pareço um extremista falando mas ninguém sabe o que tem aqui dentro, nunca ninguém sabe totalmente a nossa dor e nossa felicidade como elas são realmente e como a encaramos. Uma em um milhão consegue olhar para gente e saber que precisamos de silêncio ou de um abraço. Quase sempre consegui ser essa uma pessoa em um milhão para quem estava do meu lado. É o que sempre me deixou feliz... Estar lá de corpo e alma quando alguém mais precisasse. Mas a maioria só tem a si mesmo então lhe desejo forças para continuar. Se cair, levante! Se cair, levante! Você ainda é uma criança aprendendo a andar de bicicleta nas lições da vida e isso não vai te vencer. Você é maior que qualquer coisa.
Para finalizar, em algum lugar eu li que a vida é um saco de batatas. Batatas! Disso vem a historia onde um professor pediu aos alunos que levassem batatas e uma bolsa plástica para a aula. Pediu então, que separassem uma batata para cada pessoa de quem sentiam mágoas e as colocassem dentro da bolsa. Algumas bolsas ficaram muito pesadas e, durante uma semana, eles teriam que carregá-las assim mesmo, o tempo todo. Naturalmente, as batatas foram se deteriorando com o tempo. O incômodo de carregar a bolsa mostrava-lhes o tamanho do peso espiritual causado pela mágoa.
Além disso, por terem que colocar a atenção na bolsa para não esquecê-la em nenhum lugar, os alunos deixavam de reparar em outras coisas importantes. Este é o preço que se paga para manter a dor e a negatividade. Quando damos importância aos problemas, ficamos cheios de mágoa e raiva. Perdoar é deixar os maus sentimentos irem embora, é a única forma de trazer de volta a paz e a calma. Portanto... Jogue fora suas batatas.

Já sobre a vida, para essa vamos aprender a tomar decisões melhores que as de antes. Isso é preciso. Vamos renovar, tomar decisões que nos façam sentir novos de novo. E como minha amiga citou: "Que tal um novo emprego? Uma nova profissão? Um corte de cabelo arrojado, diferente? Um novo curso, ou aquele velho desejo de apender a pintar, desenhar, dominar o computador, ou qualquer outra coisa? Olha quanto desafio. Quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando."
Namaste

2017/04/09

Dia 2368

"Encontre sua paz." É fácil falar uma coisa dessas não sabendo o significado real disso. O ponto que te define como pessoa, que te traz para a realidade e pronto. Isso que você vai ser pelo resto da vida. Algumas pessoas morrem sem descobrir o que é isso. Por serem educadas a não buscar isso ou apenas por fadiga da vida e serem acomodadas com a situação. Basicamente enxergam aquilo que o horizonte dos olhos alcança. Não buscam o a mais que a vida pode trazer com ela entende?
Eu sempre procurei mais, quis saber mais então estava sempre me aprofundando um pouco mais em cada coisa nova que a vida me ensinava ou que qualquer nova situação que eu era obrigado a enfrentar. Isso de forma global, em todos os aspectos da vida seja ela pessoal, profissional ou amorosa. Eu sempre quis mais, minha ambição era relativa ao meu interesse particular. Pelo simples fato de eu sempre sentir tudo demais, busquei sempre esse a mais que conseguisse suprir essa minha necessidade de tanto. Mas, embora sejam muitos aumentativos citados, o pouco foi o que sempre me fez feliz. 

Gestos simples, pequenas frases, bilhetes rasgados com lembretes para aquele dia. Uma vista em cima da montanha, pés descalços na areia. Chegar em casa cedo no fim do expediente. O som da risada engraçada de um bebê por perto na praça de alimentação. O sorriso da minha esposa pela manhã aos finais de semana.
A gente sempre quer alguém que acorde antes que nós e nos traga o café. Que nos dê flores, que fale de nós por ai. Que nos faça um elogio inesperado. Que saiba qual nossa comida favorita. Que saiba a hora certa de nos abraçar e de dar um tapa para que acordemos para a vida. É, a vida. Lembra? Aquela que falamos lá no inicio, sobre quando estávamos definindo quem seríamos para o resto dela. Seja bom e seja justo, o resto vem.