2014/04/30

Dia 1825

O amor é um "enter" dado errado. 
Nova geração, whatsapp e essas coisas. Eu ainda sou do tempo do orkut e ser o topo dos depoimentos de alguém ainda era super show. Ta, ok, isso não faz tanto tempo assim. São o que? 5, 6 anos atras? Mas convenhamos, ta tudo uma bosta. Tudo errado. O que vocês estão fazendo com a porra do amor? Um emotion diz mais "eu te amo" que mãos dadas saindo do cinema. Era pra ser o contrário, certo?
Toda mulher gostosa e bonita fala um monte no ouvido de um troxa. A verdade é que toda patricinha adora um maloqueiro bad-boy. Toda loirinha adora um negão. Toda esquisita curte um alternativo. Toda nerd curte um rockeiro. E assim, toda regra aparece uma exceção. Não é sátira ou ironia, são só... Verdades.
O amor é um cão dos diabos.
Sobre amores de conchinha, esses são os melhores. Porque não importa o que aconteça você vai sempre ter alguém do outro lado pra abraçar e depois se virar, ser abraçado. E que se foda o sexo nessas horas, eu tenho a respiração dela nas minhas costas e se eu virar, vou ficar com o cabelo dela na minha cara mas tanto faz. Eu posso abraça-la. Mas sexo é bom também, não faz mal nenhum. 
Pensa nisso?
Não penso. Amor não nasce assim de uma hora pra outra. Amor se constrói. Você passa a conviver com a pessoa, conhece ela por completo, os defeitos os acertos. Você sabe o gosto da pessoa, do que ela tem medo, aquilo que a encoraja. Você aprende a confiar, a querer viver com ela a cada dia que passa, só pra ela você quer contar como foi seu dia, porque você a conhece muito bem. Você passa a querer o bem daquela pessoa, você passa a sentir algo muito forte por ela, não quer dividir ela com mais ninguém e tem medo de perde-la. Alguma vez você já sentiu medo de perder uma pessoa que você acabou de bater o olhar? Não né? Acredito que você possa se sentir atraído pela pessoa de imediato, mas amor não surge do nada, num olhar. Você pode se encantar com os traços no rosto daquela pessoa, pode sentir desejo, mas amor não.  
E cadê o amor?
Agora mesmo, estou morrendo de dor de ouvido. E cadê alguém pra colocar algodão na minha orelha e esquentar ele com a palma da mão? Cadê alguém pra me ceder a coxa como travesseiro e a mão como maquina-de-carinho? 
Estava aqui pensando em como terminar esse texto. E ja sei o que dizer. O amor? Bem, o amor... Esse é foda.

3 comentários:

Cleber Vinícius disse...

Cara, o amor...
Será preciso o sofrer.

Priscila Silva disse...

Me reconheci no texto, fazer o quê com essa modernidade de merda, né? :/

Beijão!

Pamela Vieira disse...

Em meio àquela noite escura, a minha menina seguia em sua motocicleta azul. As pálpebras pesadas refletiam as quatro noites mal dormidas e ela balbuciava algo sobre suas benditas pílulas de cafeína terem se esvaído na noite anterior. Sozinha ela acelerava o punho, ao menor sinal de perigo, apreciando o frio da madrugada penetrar o tecido grosso de sua camisa e estremecer as partículas do seu corpo. Estava ansiosa para chegar em casa, há dias não via o menino que lhe intrigara naquele último dia de carnaval, e sentia saudade do abraço aconchegante. Contudo, a raiva do comportamento inconstante do garoto e o tesão no ser misterioso que tentava conhecer, deixavam-na aflita. Os sentimentos misturavam-se e confundiam minha menina, que a cada dia sentia-se mais envolvida naquele pseudo romance. Ele era organizado, paciente e tinha ótimo gosto para filmes. Ela bagunçava sua cama meticulosamente arrumada e discutia por motivos banais. Ambos refletiam experiências mal resolvidas, e ela sabia que possibilidade de interesse não poderia existir, mas estava difícil correlacionar o sexo somente com a amizade. Por isso, entrara no seu apartamento trêmula e envergonhada, e deitou-se sem muitas palavras, mas ambos não conseguiram dormir. O silêncio do quarto foi subitamente quebrado, ao sentir-se envolta nos braços quentes e reconfortantes. Não houve declarações, tão pouco esperava por estas, mas com o coração acelerado percebeu-se protegida e, desejando que aqueles momentos fossem eternizados, adormeceu. Não conseguia negar, queria continuar ao lado seu, mas aquela amizade com benefícios, deixaria subentendido os sentimentos que preencheriam minha menina, por um longo período de tempo.


Pamela