2026/01/24

Dia 2476

É difícil conviver comigo. Já tive problemas. Eu não faço bem para as pessoas. Não é bom elas ficarem perto de mim. Sabe, eu acabo com elas,  elas ficam felizes. Encontram finalmente a felicidade e logo depois, vão embora. Porque se isso tudo fosse bom, elas ficariam. 

Eu nunca soube amar as mudanças, elas sempre me assustaram. Foi preciso atravessar a paciência para aprender a aceitar cada imperfeição que me habita. Talvez eu não seja fácil, talvez eu não seja leve, mas não quero a urgência de quem me olha buscando perfeição. Quero alguém que me encare sem pressa, que toque minhas falhas como quem toca feridas com cuidado, e ainda assim escolha ficar — não porque sou inteiro, mas porque sou verdadeiro.

Talvez você está tão presente que se torna invisível, porque está sempre lá. As pessoas nunca saberão o quão alto você apostou nelas até o dia em que você se levantar da mesa e decidir não apostar mais o coração e os sentimentos em uma roleta russa. Quando você se levanta, a narrativa muda; alguns dirão que você fugiu, outros que você fracassou, mas poucos entenderão que você escolheu a si mesmo.

Às vezes as pessoas estão no caminho certo, mas se perdem. É difícil achar o caminho de volta, leva tempo. Tanto tempo que acaba sendo tarde demais. E aí vem uma saudade fugaz de um tempo que poderia ter continuado se não tivesse pego a esquina errada. Se o mapa fosse mais preciso. Se ao menos uma vez, deixasse tudo de lado pra ver o fim do mundo ao pôr do sol. 

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