2026/03/08

Dia 2581


A pior dor é quando você sente que está incomodando justamente a única pessoa que quer falar. Quando as respostas ficam frias e curtas, como se sua presença fosse apenas tolerada e não realmente desejada. Você começa a hesitar antes de mandar mensagem, revisa as palavras mil vezes se perguntado se está sendo demais pra alguém que um dia te fez sentir que era exatamente o suficiente. 

Dói demais, e dói porque tudo que você queria era o tempo, o calor, o amor que antes vinham fácil, mas agora você se sente como um visitante indesejado em um lugar que antes chamava de lar. A mente não para. Será que fiz algo errado? Porque estou incomodando? Será que fiz demais? Ou será que ela simplesmente parou de se importar? Essa dúvida, esse silêncio, essa distância machuca mais do que qualquer palavra dura. Então você começa a se afastar, tentando proteger tudo aquilo que ainda resta no seu coração. Mas lá no fundo tudo que queria é que ela notasse e se importasse, suficiente pra dizer que ainda é importante pra ela. Mas às vezes, o silêncio grita mais alto do que qualquer resposta. E isso é foda. 

As pessoas falam "ah, mas acabou o amor". E quando acaba a gasolina do carro, você larga o carro no meio da estrada? Eu venho de um tempo que quando as coisas quebravam, a gente consertava. A gente não jogava fora. Quando a garrafa de água esvaziava, ia lá e enchia de novo. Quando o sal acabava, ia lá e repunha. Não tem essa de "acabou". 

Quando duas pessoas realmente querem, se importam e se dedicam, isso é imparável. As coisas ficam leves e só problemas sérios são tratados como problemas sérios e não qualquer bobagem. Passam a estar no lugar do outro e isso muda o jogo todo. Agora, quando um foge, vive seu próprio mundo, ignora tudo à sua volta, bom, então dois não podem ser um. No fim, talvez seja uma questão de ficar onde podemos dormir tranquilos, onde podemos caminhar descalços. Cada um de nós é um universo.

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