2026/04/11

Dia 2588


Às vezes você esta tão presente que fica invisível, porque está sempre ali. Quer estar. Talvez tenha medo de não estar. E se não estiver, alguém irá te procurar?

A falta de pertencimento dói em silêncio, dói nos momentos em que você está cercado de pessoas, mas ainda assim se sente invisível. Dói quando o riso não encaixa, quando as conversas parecem distantes, quando você percebe que está ali, mas nunca realmente faz parte de algo. É um tipo de dor que não grita, não quebra, não chama atenção, ela se esconde. Ela aparece nos detalhes, no olhar que ninguém sustenta, no convite que nunca chega, no esforço constante de tentar caber onde claramente não há espaço... 

E com o tempo, você começa a se perguntar se o problema é o lugar ou você. O mais cruel é que essa dor não tem testemunhas, ninguém vê, ninguém percebe, porque por fora está tudo bem. Você aprende a sorrir, a responder “tô tranquilo”, a seguir o fluxo. Mas por dentro existe um vazio que ecoa, uma sensação de estar deslocado do mundo, como se você fosse sempre um visitante na vida dos outros e ainda assim, você continua. 

Porque no fundo existe uma esperança silenciosa, a de um dia encontrar um lugar, uma pessoa, um momento em que você não precise se moldar, nem fingir, nem se esconder. Um lugar onde simplesmente existir já seja suficiente e quando esse dia chegar você vai entender, não era você que não pertencia, você só ainda não tinha encontrado onde realmente era seu lugar. 

Sei que consigo lidar com tudo isso sozinho, é independência que grita, é força, determinação, garra, luta. Mas é maravilhoso quando alguém cuida de mim, que faz eu desligar meu modo de sobrevivência. As vezes cansa carregar mundos nas costas. É muito bom quando alguém de coração carrega, nem que seja um pouco, um pouquinho, o nosso mundo pra gente. Me tornei um nadador tão bom que ninguém se preocupa mais se eu estou me afogando. Isso não é sobre nadar.

... Mas, alguém irá te procurar?

Nenhum comentário: