
Eu fiquei com medo de mim hoje. Aquela pessoa pálida, com a barba por fazer, olheiras afundadas no rosto e a pele mais seca que um grão de areia. Eu me olhei e fiquei tentando imaginar o que estava acontecendo. Acho que isso, essa aparência grotesca é o resultado das palavras. Eu amei muito as palavras e as odiei também. Parece que me tornei uma espécie de botão de off. A única pessoa cuja mente eu não vai dar pra ler, a única capaz de silenciar os ruídos que vêm de fora.
Passado e futuro existem apenas em nossas memórias. O problema é quando não conseguimos distinguir quando o passado é passado e o futuro é futuro. Acho que esse encontro se chama presente.
Às vezes é a minha vida que eu não posso experimentar. Assim como algumas palavras que quero experimentar em dizer, parecem que ficam todas coladas na minha boca, todas elas. Não saem. Eu cuspo, cuspo mas nenhuma delas se quer pinga pra fora. Como lidar com as dores que não passam com um beijo?
Acho que vou deixar tudo pra lá, afinal, o 'hoje' se tornou 'ontem', e o meu agora que é meu presente, esta totalmente diferente. E eu me sinto bem... tã nãnã nãnã nãnã! ♪