2014/10/17

Dia 1980

São 6:00AM e o despertador irritante do celular toca. O barulho parece três vezes maior quando ainda não acordamos por completo. 
Meio que não há escolha então levanta. Se senta. Esfrega os olhos, coça o rosto. Boceja. Há um silêncio dentro da sua cabeça que nem é perceptível ainda. Como se o corpo levantasse mas a alma ainda estivesse deitada. Mas vamos lá, onde está o outro par de chinelos? Ontem a noite eles estavam juntos.
Então vem aquele instinto de que tem que levantar. Vai até o banheiro, levanta a tampa do vaso. A primeira urina do dia, quase que automática. Os cabelos amassados e as olheiras. Lava as mãos e o rosto. A capacidade de potência aumenta um pouco. Dai você volta ao quarto, pega algumas peças de roupa e volta ao banheiro. Aquele banho de acordar. Ok, realmente acorda.
Preparar um café rápido porque sabe que já esta atrasado, come qualquer coisa. Os sapatos, droga, os sapatos onde estão? O barulho da chave. Eu tenho sorte, vou trabalhar de bicicleta pois não é muito longe. Na rua o mesmo de sempre. Trânsito, farol, fumaça, barulho de obra... Pessoas apressadas e o cheiro de café requentado. O mal cheiro nas esquinas da noite anterior, o comércio abrindo. Mais um dia no paraíso.
Quando entra no corredor pra chegar ao elevador o "bom dia" que já esta programado sai. Os botões do elevador. O tapete da porta. 

Hoje é segunda. As pessoas odeiam as segundas-feiras. Então hoje é segunda. São 7:55AM.
Mais "bom dias" programados, porta, caminhada, cadeira, mesa. Primeiro o monitor depois o computador. Guardar os óculos, esticar as mangas da camisa. Um copo de água, um gole de café. Vamos checar os e-mails? Ok, esse eu respondo agora. Esse mais tarde. Mais propagandas sobre produtos que não quero comprar. Mais propagandas de viagens que ainda não posso fazer. Ok. Mais um gole de café. E chega mais papel, confere, manda embora. Confere, manda embora. Um copo de água. Papel, papel, tesoura, grampeador. Ah, o maldito grampeador. Se há algo que eu odeio é esse maldito grampeador. Minha vontade é de jogar ele pela janela. Tirem esse grampeador de perto de mim. 
Hora do almoço servindo para ser hora do almoço. A comida não tem nem gosto direito. Já acabou. Voltar ao trabalho. 
Sabe quando você está tão, mas tão concentrado que o silêncio... Aquele da manhã esta na sua cabeça porque se encontra tão concentrado que só existe você e o papel que esta lendo. E-mail, e-mail, e-mail... Ouvir cochicho. Telefone. Risadinha. Impressora. Grampead... Ah, ele de novo. Café. 
São 15hs. São 16hs. São 17hs. São 17:55.
Desliga tudo, vamos embora.
Não é nem tão de noite, nem mais dia. É aquela hora que não sei o que... 
Amanhã vai ser tudo de novo. E vai ser terça-feira.


2 comentários:

A. Paiva disse...

Como não viajar nos textos?
Parabéns!

Miiguel Peres disse...

Caralho, palmas.