2015/10/28

Dia 2158

Eu sempre gostei de andar sozinho. Estar sozinho. Entrar em contato comigo mesmo. Falar comigo mesmo. Eu sempre me entendi. Sem sombra de dúvidas a única pessoa com quem eu nunca briguei foi comigo mesmo, de resto sempre estive em guerra com o mundo. Não abertamente, nem poderia. Mas estava.
A maioria das pessoas faz isso. Cotidianamente, rotineiramente. Nem percebem, já se tornou normal. Natural. Toda vez que você coloca seu fone de ouvido no ônibus, que você reclama das pessoas em volta e até do mundo em volta, toda vez que você se vê em um lugar mas não quer estar ali. Cada vez que isso acontece esta se modificando por dentro, como uma mutação ou uma doença. 
Vejo as pessoas não querendo sair da zona de conforto. Esse senso falso de proteção as fazem, muitas vezes, nem sair de seus apartamentos. Mas temos que alguma hora da vida abandonar algumas coisas para fazer outras, para realizar outras. Dar espaços para novos sonhos. 

Estou abandonando algumas coisas já. É uma época de mudanças. Afinal, quando foi a última vez que você fez algo que dissessem "você é louco?". Conselhos quebrados e o peso do mundo não servem mais. A vida é injusta, eu sei. Anos atrás você acordava, pegava o cobertor e ia correndo pra sala assistir desenho. Hoje, acorda mais cedo do que antes e te obrigam a sair de casa.
Ando meio triste e pra baixo. Ando meio indiferente para as coisas sabe? Ando não querendo mais nada ultimamente e querendo desistir das coisas que consegui. Ando cada vez mais em silêncio e cada vez mais longe das pessoas. Ando pensando muito e fazendo pouco. Há tempos que ando, mas nunca saio do lugar. A saudade bateu, o sono bateu, a preguiça bateu, o tédio bateu, a carência bateu, o desânimo bateu e eu como sempre... apanhei!
Vejo as pessoas falando de tristeza e mágoa, com dor nas palavras mas continuam sem sentir. As mais novas falam de chateação, fazem cena que da até pena como se alguém tivesse morrido e foi apenas uma mensagem que o novo affair não respondeu. Esse drama quase que adolescente, chega uma hora que não da mais pra continuar se repetindo concorda?
Os dias não merecem esse drama, a vida também não.

Um comentário:

anne falheiros disse...

Ainda não sou Médica, mas se pudesse receitar algo para essa monotomia de espirito... que tal uma xícada de cafè?