2018/06/26

Dia 2442

A vida é um grande contrato de risco. E uma das cláusulas mais importantes desse contrato é que devemos viver cada dia como um novo capítulo e cada capítulo como uma nova aventura. Como se tudo fosse acabar exatamente naquele momento. E esse é o nosso momento. Bom, eu sei que por algum tempo vou perder a minha melhor amiga. Que quando eu chegar em casa querendo conversar empolgado, falar sobre meu dia e saber sobre o dela provavelmente vai querer dormir apenas. Seu humor instável ainda bem mais nesses dias dirão para que eu fique quieto e que o silêncio é essencial. Que as conversas agora quando acontecer serão sobre fraldas e chupetas. Que as compras de roupas serão por camisetas com bichinhos e meias engraçadas. E que a cama vai ficar pequena daqui um tempo.  
Eu imagino como deve ser louco saber que tem alguém crescendo dentro de você. Que daqui nove meses isso vai ser exteriorizado. Que a vida que conhecia, enfim mudou de uma forma surpreendente. É um novo capítulo. Dores aparecendo, enjoo, milhares de pensamentos novos, sentimentos embaralhados todos ao mesmo tempo. Ansiedade. Sensações de medo e felicidade batendo na porta. E fora isso, como se já não bastasse,  ter que seguir a rotina que já existia antes de tudo. Trabalho, faculdade, casamento, médicos, contas... E claro, é verdade, não podemos esquecer de você. Isso mesmo, você. Ainda tem que sobrar um tempo para você.


Então, começou. Seria um "finalmente!" ou um "mas já?". Se fosse para apostar eu diria que esta mais para "eu não tenho respostas para as perguntas que vem a seguir". Quem sabe eu tenha todas as respostas daqui a alguns anos quando chegar a hora de saber como são as coisas aqui do lado de fora. Por enquanto eu não sei de nada. Não sei se chamo você de meu ou minha. Não sei se vou brigar com você por jogar bola dentro de casa ou por querer ir atrás de garotos. Se o quarto vai ser rosa ou azul. Essa ignorância chega a ser engraçada. Mas a única coisa que eu sei é que tenho grande amor por você e um dia vou poder mostrar isso. Vindo de alguém como eu, isso já é uma grande transformação. Soube alguns dias atrás que você existia e já começou a causar grandes mudanças por aqui.
Eu nem falo isso porque já eu e sua mãe perdemos algumas noites de sono ou porque na noite passada sua mãe estava abraçada no vaso ás três da manhã. Falo, por mim, que pela primeira vez me sinto parte de algo. Que encontrei meu lugar. Minha casa. E que minha paixão por contar histórias ganhou outra inspiração. Que agora posso escalar o mundo, me equilibrando, tornando-se destemido e corajoso como um trem. Porque quando a gente aprende a escalar, alcançamos nossos limites movendo-se graciosamente contra os nossos medos. Agora posso começar a ver a beleza nas pequenas coisas outra vez, em todas as coisas, sobre as coisas discretas e sobre os detalhes da vida.
E quem sabe um dia você possa ler isso e saber que eu estava falando sobre você.
Mês 1.

2018/06/16

Dia 2441

Não, eu não sou o tipo de pessoa que tem cautela e paciência em tudo. Eu tenho fobia, odeio esperar, odeio só olhar e não fazer nada. Minha ansiedade é demais. Talvez agora eu te explique porque sou assim, sempre meto o nariz onde não sou chamado e se foda. Sempre estou a frente das coisas e não saber se vai ou não acontecer, não é comigo. Por isso vou atrás mesmo, corro para saber, tomo decisões precipitadas, quebro a cara, mas estou ali, sempre com as minhas respostas, sem nenhuma dúvida. Não fique você fazendo mistérios, quem faz mistérios aqui sou eu. E é claro que isso não daria certo, não deu muito certo até agora. E é claro também que ela não saberia disso ao entrar naquele lugar. Como saberia?
Tinha cabelos escuros e longos, ultrapassava os ombros. Usava um perfume forte mas não do tipo "me notem", estava mais para "sou vaidosa". Passos curtos e para dentro mas uma boa postura. Tinha olhos grandes, bem vivos observando tudo. Como se fosse dizer uma teoria sobre todas as coisas. Como se fosse a última garota mais linda do mundo e que pensasse. E quando fez seu pedido, Meu Deus! Já estava imaginando a risada dela em áudios no meu celular. E eu já sabia que estava fodido.
Sentou-se e como toda pessoa "normal" de hoje em dia começou a mexer no celular. Acho que ela não reparou que duas mesas a frente eu vi ela entrar, vi ela pedindo sei la o que para beber com a voz mais tranquila que já ouvi em... Nem me lembro a ultima vez que ouvi alguém falar tão sereno e calmo para ser sincero. Passar por mim exalando aquele perfume que entrou para a lista de "preciso descobrir que perfume é esse" e vê-la sentar-se bem perto olhando atentamente para seja la o que for no celular.
Não sei quem ela é, qual seu nome e onde mora. Não sei se ela esta ali se sentindo confortável ou chateada por alguma coisa. Não sei se o pai dela batia nela ou se ela faz o estilo Barbie. Se ela ama alguém ou alguma coisa mais do que ela mesma. Não sei seu livro, filme ou música favorita. Não sei o que a assusta ou faz ela se sentir alegre ao ponto de não aguentar e sorrir envergonhada porque se sentiu amada ao menos uma vez por algo que ouviu de um estranho sentado na mesma cafeteria que ela.
Você mudou, nós dois mudamos, não somos os mesmos de antes. Sinto coisas que antes eu não consumava sentir, e às vezes, dói. E talvez se fosse para decidir agora sobre cinco ou dez anos atrás pode ser que queira mudar algumas coisas mas na sua essência faria tudo igual novamente. Talvez uma hora ou outra podemos nos sentir vivendo em um mundo mal e cruel onde ninguém esteja olhando. E talvez alguém, em qualquer hora e lugar esteja te olhando ao entrar, decorando como seu lábio se mexe ao falar, observando seus passos pequenos pisando nesse mundão. Esperando apenas uma oportunidade para ser o momento perfeito de aparecer e você nunca mais esquecer que alguém te nota. Alguém quer estar aqui, com você. Nesse mesmo momento que lê isso seja lá onde estiver.
Então muito prazer, meu nome é... Eu não aguentei ficar sentado esperando para saber se posso me sentar aqui e você me contar tudo sobre você. Porque um dia vamos casar e você vai contar sobre esse dia para sua filha e dizer para ela que espera muito que isso aconteça a ela também. Bom, é isso que eu quero, e você?


2018/06/09

Dia 2440

Vamos voltar a namorar. Podemos esquecer todas as coisas que já aconteceram, a formalidade de ser um casal e ter que respeitar e aceitar várias coisas inaceitáveis. Vamos voltar a namorar, como se não soubéssemos absolutamente nada um do outro de novo. Vou fingir que não sei a quantidade de nescau que você gosta no leite de manhã e você finge não saber que meu prato preferido é macarronada. Por favor, voltemos a namorar á partir de hoje.
Não existe a rotina, nem portfólio de brigas antigas. Nem muito menos bagagem de mancadas feitas um para o outro. Nenhum erro cometido. Vou tentar não lembrar que você por mais que fique sem graça, gosta quando te olho apaixonado. E que prefere que eu não tenha tanta barba. E também que eu use mais tênis do que minhas velhas botas. 
Você vai me perguntar se eu amaria seus soluços tristes e a sua lágrima na garganta. Seus medos, frustrações, pesadelos e toda a tua culpa jogada em meus ombros. No fim, vou te falar que porque amar, como diria Drummond, é ter uma sede infinita sem saber como saciar. Vai me perguntar ainda se eu amaria seu desapego à vida e à minha presença. Eu te amo ignorante, meio sem jeito, meio torto, mas esta é a minha maneira estúpida de te amar - eu vou dizer.
Vai descobrir que ás vezes gosto de me isolar do mundo mas gosto de companhia, uma espécia de companhia solitária com uma pessoa só para sentar na pedra e ver as ondas ou fazer um passeio no parque. Coisas pequenas, mas que são e fazem parte muito importante da minha paz. Essa seria a minha igreja. A parte infinita que me traz felicidade.
Por outro lado você gosta de festas, rir com os amigos, eventos de família, viagens em grupo. Vou ter que me acostumar com isso e aprender que não posso te pedir muito uma mudança porque, acabamos de nos conhecer.
Então, vamos voltar a namorar hoje ou na semana que vem. Toda vez que a coisa apertar, voltemos a namorar. Assim eu não preciso te pedir desculpas sempre e você não chora tantas vezes. Vamos nos olhar e já saber que é hora de um novo pedido de namoro.


Dia 2439

Hoje me peguei lembrando da noite passada. Ainda posso sentir sua mão percorrendo o meu corpo, como um pianista dedilhando as teclas do piano com suavidade e desejo. Posso sentir também a sensação da tua respiração ofegante na busca do êxtase ou só mesmo sentir tua boca em mim.
O mais engraçado de tudo é que as sensações me fazem sentir novas sensações... Ah, você não imagina tudo o que passa pela minha cabeça, até que ponto podemos chegar. Mas quem me vê com esses semblante aqui séria, sentada em frente ao computador trabalhando nem imagina tudo isso se passando em minha cabeça, e ela só tem um desejo: VOCÊ
A noite vai caindo e em breve estaremos no nosso ninho de novo, e novas sensações, novas lembranças.

2018/06/01

Dia 2438

A gente demora para encontrar alguém e decidir juntar os panos de bunda. Ficamos esperando o máximo de porcentagem alcançar sobre as coisas que combinam. Filtramos e filtramos, escolhemos bastante. Descartamos como se fossem verduras ruins na feira. E no fim, ainda há grande chance de fazermos uma escolha errada. Digo fazer uma escolha errada porque a maioria das pessoas no mundo de hoje descartam fácil demais quando descobrem as indiferenças dentro do casamento ou qualquer relacionamento que seja. Podem me chamar de velho, mas sou de um tempo que a gente concertava as coisas quando elas quebravam e não jogávamos fora.
As pessoas perdem muito rápido a paciência, o carinho e até o amor. Mas estar ao lado de outra pessoa exige esforço e dedicação. Detalhes diários que salvam o dia de alguém(ns). Abrir mão quando na verdade a vontade é de bater o pé. Perder para ganhar. Perdoar para continuar. Não é todo mundo que tem essa força para continuar. Não é todo mundo que merece que continuemos a tentar. E me perguntam sempre: Porque está aqui? E a resposta é bem simples: Eu não faço ideia, mas toda vez que ela sorri pra mim eu sei que aqui é o meu lugar.
Tenho que dizer que quando casei cometi um erro enorme. Depois de tanto tempo cuidando de outras pessoas e me mantendo firme para ajudar os outros, acreditei que quando escolhesse alguém para casar esse alguém me sustentaria porque já estava cansado de ser forte o tempo todo. Que eu poderia ser cuidado mais do que apenas cuidar. Que eu poderia descansar, enfim. Então veio ela, com a bagagem dela, com os traumas dela, com os medos dela e tudo mais que envolvem trinta e poucos anos de idade. O meu erro foi pensar que eu precisava descansar quando na verdade eu tenho que trabalhar mais. Que ao invés de abandonar meus conceitos de certo e errado pra ser cuidado quando na verdade eu tenho que me dedicar bem mais para cuidar desse serzinho que apareceu. Que na verdade agora eu tenho que ser mais forte do que nunca.
E agora é assim, somos eu e ela contra o mundo. Porque ela é o erro mais bonito que eu já cometi e não me arrependo disso nenhum dia. Cometeria esse erro mil e uma vezes só pra ouvir ela dizer "Eu avisei". Posso não acertar todas as vezes mas vou continuar tentando. Mais um dia e amanhã mais um dia.

2018/05/19

Dia 2437

Eu tive medo. Pela primeira vez eu soube o que era medo de verdade. E nada se compara a isso. Levantei na manhã seguinte e seria uma manhã normal, é claro se não fosse a primeira manhã depois de saber que ela esta grávida. Desci, fiz meu café, tomei meu banho, vesti meus sapatos, dei um beijo em sua testa ainda dormindo e sai.
Esqueci de ligar o som do carro. Eu esqueci, toda vez ao entrar no carro e dar a partida se não coloco o playlist do meu celular eu procuro a rádio mais interessante ás 6:50AM. Mas eu esqueci, eram 7:22AM e eu ainda estava no estacionamento segurando o volante com as duas mãos. Não sabia o que pensar mas eu estava com medo. É como se todas as coisas ruins fossem acontecer comigo naquele dia. Quis voltar para a cama mas não voltei.
Depois de mais alguns minutos ali preso naquele transe eu sai e na rua comecei a reparar coisas que antes não reparava. A loja na esquina, temos uma escola a menos de 500m de casa. Idosos em casas que passamos na frente e elogiamos o cuidado do jardim. É como se tudo fosse novo, estivesse vendo tudo pela primeira vez. Enfim, ali, naquele momento eu cresci.
Eu pensava que crescer era arrumar um emprego e talvez ter uma família, se tornar um adulto. Mas crescer é deixar as pessoas que você ama em segurança. O mais seguro possível porque as coisas acontecem. Enquanto elas estavam descansando em casa, eu pisava menos no acelerador no trânsito. Meu maço de cigarros ficou inteiro na porta do carro. Há apenas caixas de leite e suco na geladeira. Passei a pensar "preciso voltar para casa" ao invés de "preciso trabalhar mais".
As coisas mudam, a vida muda. É um universo todo novo agora e senti medo porque é bom. Estamos acostumados a viver sentindo medos que não são nossos. Você cansa, mas não desiste porque sabe que não tem ninguém que lute por você. Está sozinho, está triste, e mesmo assim a única palavra que conhece é lutar. E a luta agora é bem maior, porque todo dia quando eu acordo, penso em voltar para casa para as minhas meninas.

2018/05/13

Dia 2436

Respirar é preciso, não somente no sentido literal, mas parar alguns passos e saber pra onde você está indo. Correr não só te impede de respirar, como também não te deixa apreciar o que é importante nessa vida. E ultimamente andei correndo muito. Hoje, felizmente consegui uma pausa pra mim. Decidi não me importar com meu dia, minha rotina, minha agenda e tudo mais envolto nesse universo que repito semana após semana. Desliguei meu celular - e isso é um espanto até mesmo para mim. Pedi um café naquela Starbucks da Alameda Santos e depois subi para a Av. Paulista. Sentei nas escadarias do prédio da Gazeta quase que camuflado, quem repararia que eu estaria ali sentado?
As pessoas corriam muito. Pensei "Caramba, eu faço isso também. Todo santo dia!" Minha vontade era de ligar para as pessoas que amo e falar "vem aqui agora, esta acontecendo algo incrível". Esse algo incrível é que eu não tinha horários, estava apenas ali sentado e observando o mundo que estou dentro mas por outra visão. É como se eu tivesse morrido e saído do meu corpo e estivesse vendo tudo de camarote. Todas essas pessoas passavam tão depressa que ao relance talvez pensasse que eu fosse um mendigo ou algo assim.
Meu café mocha gelado de R$9,90, tocando Two Coins do City and Colour no fone de ouvido e sentado ali... Pra mim isso é uma das coisas mais legais do mundo. Não preciso me preocupar em pagar nenhuma conta, em ir para nenhum lugar, não ter nenhuma obrigação, me reportar a ninguém. Absolutamente não preciso ter nada na minha cabeça. Eu posso ficar ali sentado por horas observando as pessoas. Rindo de algumas coisas e achando bonito outras. Tendo alguns pequenos delays de nostalgia. Por algumas horas eu posso ser quem eu quiser sentado ali. Ninguém vai me cobrar, brigar, julgar e principalmente tirar a minha paz.
É uma pena estar aqui sozinho. Eu gostaria muito de apresentar esse mundo pequeno, simples e secreto para alguém. Alguém que não corresse e quisesse respirar um pouco também. As pessoas não param mais. Elas não respiram. Mas a vida não vai ser lembrada pela quantidade de e-mails que você conseguiu enviar no dia ou, quantos formulários conseguiu preencher. Ela vai ser lembrada por toda vez que você parou, respirou e viu todas as outras coisas e pessoas a sua volta que você não conseguia ver enquanto estava correndo. E caramba, passei uma tarde inteira aqui sentado. Respirei um pouco hoje e talvez eu precise de respirar um pouco mais amanhã.



2018/05/06

Dia 2435

Aquele beijo tinha gosto de cigarros e cerveja. A verdade é que eu não sei dizer como chegamos até aqui. Lembro de alguns fragmentos, conversas aleatórias sobre o tempo e relacionamentos. Talvez tenha sido na parte que ela disse "A gente percebe que esta deprimido quando passa a implorar todos os dias aquilo que as pessoas só pedem no final do ano." E fiquei pensando em qual seria a última coisa que pedi no ano que passou ou algo assim.
Houve outra parte em que eu não sei o que ela dizia, realmente eu não estava prestando atenção mas os olhos dela eram lindos. Parece clichê de cantada barata mas eu não conseguia parar de olhar para aquela imensidão castanha clara que quando ela virava, a luz sobre nossas cabeças fazia eles mudarem de cor para caramelo ou mel e era tão claro que quando ela ficava de perfil para beber mais um gole no copo eu conseguia ver através deles. E dai ela me perguntava "o que foi?" e eu respondia "Nada!", mas era aquele 'nada' cheio de tudo.
Na real ela parecia uma garota solitária que fodia de vez em quando para não se sentir tão sozinha ás vezes aos sábados a noite. Por outro lado ela era aquele tipo de garota que a gente dedica uma trilha sonora especial da nossa vida só pra ela. Aos meus olhos, ela era sempre linda.
Por fim, creio que foi sobre os assuntos que pensávamos igual. Sobre porque algumas vezes insistimos em pessoas que não fazem nenhuma vírgula na nossa história ou, porque ás vezes nos submetemos a situações das quais só a gente sai com o coração partido? Porque perdemos nossa liberdade e como fazer para recuperá-la? Esses vários porquês que deixamos para lá até algo acontecer. Mas eu não, nem ela. Nós questionávamos tudo. Parecia que tudo tinha que ter uma justificativa para repassarmos ao mundo.
Ao acabar, antes de irmos cada um para o seu lado nos beijamos. E aquele beijo tinha gosto de cigarros e cerveja. Nenhum dos dois ligou para isso. Na manhã seguinte quando virou pra mim coberta com meus lençóis perguntou: "eu posso ficar?" E na minha cabeça as respostas eram "por hoje, por essa semana ou a vida inteira?". Mas a única resposta que eu consegui dizer foi: Eu faço o café.



2018/04/29

Dia 2434


Temos que ver o que estamos fazendo, digo. Se tratando de estar com outra pessoa entende? Geralmente procuramos pontos e mais pontos que combinem em meio ao vasto campo de opções. Realizamos esse filtro e falando assim parece até uma coisa horrível não é mesmo? Mas não é, imagine você estar com alguém que não gosta de assistir filmes no cinema enquanto você é um rato de Cinemark com carteirinha vip ou, alguém que nunca ria das suas piadas enquanto todos seus amigos te chamam para os lugares justamente porque você é o piadista do grupo? São idéias bem pequenas se pararmos para pensar em uma visão macro disso tudo.
Depois de tanto escolher (porque sim, somos todos exigentes) definimos que vamos arriscar em uma pessoa finalmente. Mas por mais que essa pessoa combine com você em muitos pontos, sempre haverá o ponto em que não vão combinar, nunca. Essa é a parte da história que dizemos: É necessário respeitar certas diferenças para não haver indiferenças. 
O ponto de não apreciação na outra pessoa nem sempre é um defeito nela. Ok, você pode ver assim mas tente não enxergar dessa forma. Aquele pontinho em especial só é diferente do que você esperava ou queria. Não é o motivo para que tudo acabe ou que, ele se torne o monstro da sua vida. Você com certeza tem pontos que também não o satisfazem e nem por isso ele(a) deixa de estar ali. Sou de um tempo que quando as coisas quebravam, a gente concertava elas e não simplesmente jogava fora.
Vi muitos casais se desfazerem porque apenas não sabiam respeitar algumas diferenças. Outros, porque não queriam entender essas benditas diferenças. Outros até porque queria continuar mas forçavam a mudança dessas benditas diferenças. Sendo que há um caminho mais fácil para tudo isso que é, apenas respeitar isso. Apenas quando há mais diferenças quanto a compatibilidade dos dois, pode-se sim salvar um relacionamento havendo diferenças entre os dois.
Cobramos muito dos outros, mas o que estamos fazendo para nos tornarmos especiais um para o outro? O que nos torna únicos na vida da outra pessoa? Se não temos respostas para nenhuma dessas perguntas, a pergunta que vem agora é: Quando vai começar a fazer algo? Todo mundo gosta de carinho, de se sentir especial, de ser surpreendido e nos sentirmos queridos. Mas também temos que ser corrigidos em meio as nossas diferenças porque algumas vezes nossas diferenças machucam as pessoas. É tudo uma questão de pesar o que vale mais a pena entende? Vale a pena eu continuar batendo o pé e ser o que eu sou ou posso crescer para ser alguém melhor e deixar quem esta comigo continuar a trilhar esse mesmo caminho? Casais felizes são os que crescem juntos e não os que pensam apenas em si mesmos para depois pensar em todo resto.
Se eu decidi escolher uma pessoa em meio a todos esses outros milhões de opções, eu vou fazer o que eu puder para que ela suba o degrau acima do meu e eu sempre alcançando ela. Assim, ambos continuamos a subir. Feliz aquele que tem uma mão que o puxa para cima, triste aquele que carrega o fardo de subir sozinho. No final da escada o abraço de terem chego e superado a subida juntos é bem mais feliz do que aquele que olha para trás e só vê degraus. Pense nisso, seja especial para alguém.

2018/04/22

Dia 2433

Essa é a parte mais triste da história, o tal momento em que os nós se desatam e você sente o seu coração virar pedaços. Você se pergunta como vai conseguir ir em frente. Você chora na esperança de que a dor se vá junto com as lágrimas.
Você se sente mais perdido do que qualquer criança quando se perde da mãe no supermercado. Você fecha os olhos, se belisca, pede de joelhos que tudo seja apenas um pesadelo, mas aí você abre os olhos e a dor continua lá. E por mais que continue lá, é você quem decide se ela vai te consumir ou se vai superá-la e pegar como aprendizado. 
Embora todas as perguntas, medos, inseguranças que temos, mesmo que o coração se devaste, mesmo que as esperanças cheguem a se esvair, mesmo que tudo não tenha passado de uma ilusão idiota da sua cabeça, a decisão de seguir em frente sempre será apenas nossa, e honestamente, decidir é tão ruim , é exaustivo, mas como todas as histórias, sempre há um final. Sinceramente, torço muito para que tudo fique bem, mesmo que agora a única vontade que tenho é de deixar tudo explodir sozinho.

Dia 2432

Gosto daqueles dias turbulentos, aquela correria pra cumprir prazos e um amontoado de trabalho. Pelo menos nessas horas o coração e mente param um pouco de repousar em você, espero que com a agenda cheia eu consiga te esquecer.
Tudo bem, eu sei que tenho grande parte de culpa nisso. Eu sei. Prometi que isso iria mudar, que os motivos seriam outros, que os caminhos seriam novos. Prometi que não iria mais falar de você, que me livraria de tudo que se remete a você. Eu disse, mas nem assim eu consegui. Faz falta as risadas, as brigas, os carinhos. Eu me perdi sem você, e por mais que isso seja clichê, pensar no que eramos e sentir a sua falta ainda dói. Me tira o sono, a vontade de comer, de sair. 
Eu queria aceitar que não somos mais o que fomos um dia. Eu queria muito aceitar que isso vai passar, vai acabar, que no fundo não irei mais lembrar. Eu sou tolo, ciumento, egoísta, chato, teimoso, birrento. Sou tudo isso que você provavelmente pensa de mim, mas também sou aquela pessoa que apesar das maneiras tortas, te amo por demais e não aguenta mais ficar sem você. Eu estou tentando dar o primeiro passo, então, dê um também e volta. Porque não houve um dia sequer que não senti a sua falta.

Dia 2431

Um dia acordei e decidi ser tudo aquilo que eu queria realmente ser. O corpo e a alma precisa de novos desafios, entende?  A busca da felicidade é pessoal, e não um modelo que possamos dar para os outros. A cada momento da nossa existência temos que escolher entre um caminho e o outro. O simples fato de escolher pode mudar um minuto ou a vida inteira. 
Houve um tempo em que eu queria mudar o mundo. O tempo passou e quis mudar apenas a minha família. Mais tempo se passou e cheguei no hoje, onde quero apenas mudar a mim mesmo. O tempo não muda o homem, mas o homem muda o homem. Eu quis, um dia, transformar o ato impossível em algo concreto. 
Porque se isso tudo não tivesse acontecido, eu não estaria aqui agora com vocês e estar agora aqui com vocês é muito importante porque a nossa vida esta inteira aqui onde nós estamos. Ela não esta no antes nem no depois, mas o antes e o depois constroem este momento presente, e ele é tudo, tudo, tudo de melhor, porque nós podemos falar, ver e ouvir e consequentemente... Sentir. É tudo hoje e o hoje acaba rápido demais.

2018/04/21

Dia 2430

Outro dia estava lembrando o início da nossa história, parece que foi ontem que tudo começou. Aquele café que na verdade virou chá e uma conversa que não parecia ter fim. Nesse período foram olhares, sorrisos e vontades iniciadas naquela mesa de cafeteria em um shopping que frequentamos até hoje. Ainda me pego olhando e buscando todo o encantamento que você me proporciona diariamente, fácil hoje olhar você e ver como cresceu com nosso relacionamento, como identifica com facilidade meus dias ruins, como entende minhas necessidades e o momento que não quero conversa e preciso ficar em um cantinho sozinha.

Escrever que me apaixono por você a cada instante parece até clichê, mas não encontrei ainda maneira de descrever esse sentimento diário e continuo que sinto sempre perto ou distante, acordada ou dormindo, até nos momentos que você me tira do sério e acontece uma discussão (eu também te tiro do sério na maioria das vezes), até nesses o amor consegue se sobressair, nos mínimos gestos de carinho que você me proporciona. É no acordar que me enche de beijo a fim de me despertar, ou quando sai do quarto quando acorda esperando que eu desperte sozinha e não me incomodar com a luz do celular, ou quando faz a massagem nos pés depois de um dia duro de trabalho e usando um salto enorme. 
Difícil mesmo é saber qual palavra usar pra descrever tamanha alegria, diante do sentimento que explode dentro de mim, que fica nítido em meu rosto e que é possível ter contato com outras pessoas, não sei...
Mas quero dizer que te amo, e minha melhor escolha há cerca de 2 anos foi você, que escreve nessas linhas e nesse blog por tanto tempo, inspirando novos romances, acalentando aquele coração ferido, dando esperanças, eu já fui leitora e hoje sou recompensada sendo sua esposa. E que papel extraordinário você me colocou, é maravilhoso amar você, estar com você, enfim dividir a vida com você.
E caros (as) leitores (as) a felicidade existe e temos que buscá-la porque a recompensa é maravilhosa, mesmo diante do longo caminho que podemos percorrer até encontra-la, mas quando chega, ah isso não tem tamanho e nem explicação!

2018/04/14

Dia 2429



Sempre gostei dos sábados de manhã. Aliás, gostava dos sábados de manhã quando a sexta-feira a noite tinha sido boa. Quase sempre era porque no sábado de manhã o sol invadia meu quarto sem pedir permissão, trazendo luz em cima da cama, refletindo o lençol branco. O mesmo lençol que cobria parte do corpo dela, deixando exposta as pernas daquela que estava deitada de bruços abraçando um dos meus travesseiros. Aquele cheiro de mulher espalhado pela cama toda, misturado com sexo. Pra mim esse era o melhor cheiro do mundo.
Era quase que um ritual, eu levantava com cuidado para não acordá-la. Vestia meu roupão e descia as escadas para passar um café fresco. O andar debaixo ficava com aroma de café do interior. Subia de volta sem fazer barulho e me sentava á frente daquela cena. A xícara preta na minha mão. O ar quente subindo e se esvaindo no ar. A frente disso, lençóis brancos enrolados em algumas partes do corpo dela. Quase todas as vezes as pernas e as coxas ficavam descobertas. Quase todas as vezes estava sem calcinha e o desenho do quadril ficava a frente da janela onde a luz do dia invadia o ambiente. E eu ficava ali até o meu café acabar ou ela acordar.
Quando o meu café acabava eu voltava para a cama e ela me procurava com as mãos sentindo o movimento da cama. Deitava no meu peito e começava a falar sobre algumas coisas como viajar para algum lugar distante ou que deveríamos ter um filho. Que talvez seria interessante começar a vida em algum outro lugar. Que tinha idéias sobre isso ou aquilo mas no fundo sabia que nenhum daqueles absurdos ditos na cama sábado de manhã aconteceriam tão de repente.
Quando ela acordava antes, procurava pela presença do outro lado da cama e não encontrando abria os olhos. Eu deixava a xícara ao lado da cama e ia ficar com ela. Fazíamos amor enquanto o café esfriava. Quase sempre eu gostava quando o café esfriava.
Então eu tinha a minha cama, os meus lençóis brancos, meu café, minha garota e a nudez dela e a minha luz da janela. Eu não tinha o que reclamar, meu mundo estava bom. Até que um dia acordei sozinho, o café tinha acabado e só havia temporal batendo no vidro. E pra onde foram meus sábados tão bonitos? Por fim, ela acordou fazendo carinho no meu rosto. Disse que não aguentava mais esperar eu acordar porque fazia algum tempo que ficou me vendo dormir. Era uma segunda-feira. Então percebi que não era apenas meus sábados que ficavam bonitos agora. E obrigado por isso.

Dia 2428

Enquanto eu faço piadas todos riem. Mas ninguém sabe que quanto mais piadas eu faço, mais triste eu fico. Este diabo do porão está chutando o traseiro do meu anjo no teto. Igual aquela história do palhaço triste que vai ao médico. Ele chega ao consultório sem maquiagem e diz ao médico que se sente triste e pra baixo. O médico vira para ele e diz que há um novo circo na cidade e que ele deveria ir ver o palhaço Smile que é a atração principal.
- Você deveria ir vê-lo, ele te fará rir e se sentir melhor com algumas risadas.
- Mas Dr. eu sou o palhaço Smile.
A verdade é que ninguém reconhece as nossas guerras. Como iriam saber? Ninguém sabe que enquanto estamos fortes do lado de fora, na verdade tem um canhão apontado para nossa auto-estima atirando repetidas vezes. Não existe colete a prova de balas para isso. Então, se um dia eu ficar em silêncio por favor me ajude. Me faça rir também. 



Dia 2427


Nós éramos muito jovens. Muito jovens para fazer muita coisa, para ser outras. Muito jovens para saber, para compreender e para esperar. E o mal de ser jovem é ter a ilusão de que o tempo vai durar para sempre. Porque não dura, nada dura para sempre. Não estamos falando de idade, dizemos ser jovens porque é apenas um espaço de tempo que ainda não tivemos.
O sexo era bom mas não sabíamos como fazer amor ainda. Sair para se divertir era legal mas não sabíamos como apreciar a companhia um do outro ainda. O papo era legal mas o valor do silêncio era maior ainda. Presentes caros, lojas de grife, lugares exaltantes eram apenas coisas e puro status, um bombom sonho de valsa era o que arrancava mais sorrisos. Cada mínimo detalhe de hoje faria a diferença no ontem se apenas soubéssemos como fazer o que sabemos agora.
Ela usava sandálias de tira preta e mal sabia que aquilo um dia daria dor nos pés. Ele usava camisas de marca cara e mal sabia que um dia aquilo seria irrelevante. Lugares, pessoas, coisas e aos poucos quase tudo perdeu a graça. O traço amadurece, a letra, o tom de voz, as atitudes, os gestos, a palavra e a pessoa. Alguns valores se perdem, outros valores adquirimos. E nessa fenda do tempo, descobrimos que um dia vamos querer voltar no tempo para voltarmos a ser jovens mas com o que sabemos hoje. 
E hoje meu amigo, hoje somos jovens. Jovens demais para perceber que um dia teria fim. E teve.

2018/03/31

Dia 2426

Hoje o café quente caiu no chão. Eram seis e meia, muito cedo. Eu precisava do café, mas o café quente caiu, e meu pé, não queimou, mas quase. Hoje eu passei o sinal vermelho. O sinal que nunca fecha cumpriu seu papel de fechar, e eu, que não vi, passei. A sensação de que estava atrasado. Atrasado para onde? Um desejo imenso de ser pontual. Pontual para quem? Hoje eu chutei o chão como se fosse uma bola. Mas eu não jogo bola. Hoje eu chutei o chão como se ele fosse macio, chutei com o mindinho, coitado, tão pequeno mas ainda assim grita de dor como se fosse grande. Hoje eu quase comprei um livro que eu já tinha e eu não quero falar sobre isso. Hoje eu fui no supermercado e ao ir embora eu levei o carrinho, pensando não sei no que nem onde. Esqueci o carro estacionado e fui em direção à saída com o carrinho. A bolsa jogada, as compras, a criança e eu, até que um homem gritou "ei, não pode levar, volta aqui". Hoje eu queimei a carne na panela. O almoço, atrasado como eu me sentia, saiu às 16h. Meu filho não quis almoçar às 16h. O almoço, atrasado e queimado, ficou na panela mesmo. Hoje eu olhei o celular 30, 40, 50 vezes, esperando, esperando. Não sei bem o que fico aqui esperando. Hoje pedi arrego, pedi pra ficar sozinho um pouco. Hoje eu tive um dia que, com licença Leminski, mas haja hoje para tanto hoje. Hoje eu tive um dia dos infernos, porque parece, hoje eu tô quase acreditando, que tem mais de um. Hoje eu tive que lidar com tanta bagunça, por fora, por dentro. Hoje eu quase rezei.

2018/03/15

Dia 2425

Essa vai para você que está pensando em casamento, tenho que lhes dizer: Não se case hoje. Ou amanhã. Ou na semana que vem. Ou aquele plano que está sendo pensando daqui um ano e um pouco mais. Adie esses planos ou simplesmente mude eles. Vai por mim, não se case hoje.
Quando me casei um tempo atrás havia uma ideia fantasiosa sobre o que seria um casamento na realidade. A verdade é que as coisas são bem diferentes e não brigamos por toalha molhada em cima da cama ou jogo de futebol na tv. Nem o valor da conta de telefone e muito menos sobre a sogra. Com sinceridade mesmo tenho que dizer que casamento ás vezes parece não existir mais. A realidade é que hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar.
Ninguém aguenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade, já estou em meu terceiro casamento – a única diferença é que me casei três vezes com a mesma mulher. Minha esposa, no entanto, está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes do que eu.
Depois de incontáveis e inevitáveis arranca-rabos, a solução é amansar, se acalmar e contar o famoso "até 10" e partir de novo com a mesma mulher. Isso exige preocupações e cuidados que muitas vezes são esquecidos no dia-a-dia do casal. É preciso novos começos levando em consideração o que estava dando errado no antigo relacionamento. É preciso namorar, acarinhar, seduzir e ser seduzido. E o mais importante: Ver o que o "eu" como individual estou fazendo de certo e errado. Não pare de fazer o que está dando certo, mas definitivamente pare de fazer o errado. É uma ordem!
Não existe essa tal “estabilidade do casamento”, nem ela deveria ser almejada. O que ninguém te contou é que o casamento muitas vezes é montanha russa. O mundo muda, e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos. A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma “relação estável”, mas saber mudar junto para não cair do carrinho no próximo looping. Todo cônjuge precisa evoluir, estudar, aprimorar-se, interessar-se por coisas que jamais teria pensando fazer no início do casamento. Você faz isso constantemente no trabalho, por que não fazer na própria família? É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo. Certo?


Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão: por isso, de vez em quando é necessário casar-se de novo, mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par. Ninguém vai te entregar um manual de como se faz essas coisas, ou dar qualquer dica válida que possa ser aplicada de imediato entre vocês dois. É como escolher feijão, são vocês dois escolhendo suas atitudes, suas palavras e acima de tudo suas decisões. Lembrando-se sempre que o amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. C: 13:4-7 e assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. - IC: 13:13


2018/02/25

Dia 2424

Temos que respeitar o modo de amar de cada um. Ás vezes olhando pelo buraco da fechadura ficamos vendo o que acontece na vida dos outros e julgamos que é errado ou que absolutamente parece um absurdo tudo aquilo. Mas antes do julgamento devemos nos perguntar: Essa pessoa esta feliz? 
Talvez aquela situação para nós na nossa vida não é cabível, admissível, concreto e dentro do nosso universo ser uma realidade. Pense fora da caixa! Olhamos o outro e em meio ao caos e ao absurdo essa pessoa sorri, esta feliz e não esta reclamando de nada. Na verdade ela tem mais histórias para contar do que uma criança que voltou da escola no seu primeiro dia de aula. Ela se encontra em um estado físico e mental muito bom e notável a todos que convivem com ela. "Você esta bonita hoje", "Você emagreceu" - As mulheres adoram essa. E de modo algum a vê chorando pelos cantos. E o sexo, ah o sexo!
Por outro lado com sorrisos cada vez mais raros e sem poder de contagiar, com impaciência ao invés de brincadeiras e um torturante silêncio onde deveriam existir palavras e palavras, cada vez mais pessoas vivenciam a solidão a dois. São olhares vazios, pensamentos dispersos e uma sensação enorme de “tanto faz”. Na mesa do restaurante, o casal insiste em prestar atenção exclusivamente às telas de seus celulares. Enquanto caminham nenhuma palavra sai de seus lábios, e na despedida um beijo frio. No sexo, por não exigir diálogo, as coisas fluem um pouco melhor. Mas ainda assim é insuficiente. O relacionamento, contudo, é mantido. Talvez por conveniência ou talvez porque essa realidade basta. Existem pessoas que se contentam com o básico e outras que temem a solidão mais do que qualquer outra coisa. Elas não percebem, porém, que estão sozinhas, apesar de terem uma companhia. 
Parece contraditório, mas não é. Soa como se as pessoas, com medo da solidão, resolvessem ficar sozinhas juntas. Assim é formada uma multidão de almas vazias, de corações partidos e mentes desencontradas. Ficam inconformadas por aqueles que dizem que até o céu muda de cor quando estão amando. “Porra, o céu é azul. Sempre foi e sempre será”, concluem. Mas é mentira. O céu é da cor que querem aqueles que não sentem uma solidão esmagadora, estejam acompanhados ou não.
E assim assistimos relacionamentos começando e terminando dia após dia. Não haveria problema nenhum nisso, afinal, nossa existência é efêmera, e somos feitos de dúvidas e erros. O problema é assistir o seu relacionamento começar e acabar e ainda assim não aprender nada de valioso com ele. E sabe por que não? Porque vocês não estavam juntos. Apenas estavam sozinhos no mesmo lugar. Deus me livre de algo assim!
Com o tempo algumas coisas vão perdendo a graça para falar a verdade. Lugares, pessoas, coisas e até sentimentos. Você sabe, eles dizem que uma hora tudo vai acabar. Que as coisas ruins vão passar e que a tristeza vai cessar. Eles dizem que vai tudo ficar bem, que os muros que cairão vão ser reerguidos com novas estruturas mais fortes e resistentes dessa vez. 
Com o tempo amor passa a ser "Eu lavo a louça, arruma o quarto ai" e "cócega não!". Ainda "olha pra mim, eu tô falando" e "eu to carente, você não vai fazer nada?". Também o "estou esperando você largar esse jogo ai e ficar comigo" e "vai tomar banho pra gente ficar junto". "Te trouxe o café" - essa é a melhor. "Toma cuidado, volta rápido pra casa" e "Vou buscar o café da manhã". Aquela de "vou dormir ai hoje?" e "vai me avisando, to saindo de casa agora". "Já deu o biscoito da cachorra?" e "onde a gente vai comer hoje?" também podem ser usados. E os famosos "essa roupa não esta muito curta não?" e "essa roupa não combina". Por fim, "só me abraça".

2018/02/18

Dia 2423

Isso não é sobre você, nunca foi.
Nem sobre as vezes que paramos na fila do supermercado e eu sabia exatamente qual sorvete você olhava dentro do freezer. Nem sobre o nervosismo nos primeiros dias que foi dirigir e não sabia ao certo fazer uma baliza. Ou sobre seu gosto por bandas que tocam música Folk. Por falar em músicas, esses dias tocou na playlist aleatória aquela famosa Snuff enquanto eu estava no farol e nem percebi quando ficou verde até começarem a buzinar pra mim. 
Também não é sobre o fato de você tropeçar na calçada com frequência ou sua risada ser mais alta que a minha quando a piada era realmente engraçada. Ou ainda o fato de você ficar linda sorrindo. E não, definitivamente não, quando acordava com seus cabelos estavam lá no alto. Na verdade isso era engraçado.
Também não tem nada a ver com eu gostar do desenho dos seus lábios quando passa batom vermelho ou o formato dos teus dedos da mão. Ou sobre a sombra do seu corpo nu quando da luz na janela lateral do quarto de dormir vem a lua iluminar aquela cama. 


Mas também entendi que depois me canso, tá tudo bem em ir embora. Já estou um pouco acostumado com isso. Fico olhando toda aquelas trilhas criadas no meio da praça, no meio da grama, é como se uma multidão passasse por lá todos os dias e passasse com pressa, é isso que tenho que entender também. Que as vezes as pessoas passam com pressa e não se pode fazê-las se acalmarem.  É meio perturbador no começo, eu me sinto bastante sozinho ainda, mas a gente passa a se acostumar com isso, assim como nos acostumamos com os barulhos no meio da madrugada ou aos gatos fazendo barulho em cima do telhado. Volte para casa ou para qualquer lugar em que sinta-se bem, não encha a cara, não rebole a bunda, se permita ficar sóbrio e aceitar que algumas pessoas estão com pressa demais para nos esperar ou até mesmo, sei lá, fazer qualquer coisa.
Isso não é sobre você, nunca foi.