2014/10/17

Dia 1981

As melhores coisas da vida são livres o bastante pra serem observadas por um instante apenas. Um beija-flor que pousou sobre a mureta de uma janela por exemplo ou a risada de uma criança. O olhar do primeiro beijo. O sorriso dela cara, o sorriso dela...

Dia 1980

São 6:00AM e o despertador irritante do celular toca. O barulho parece três vezes maior quando ainda não acordamos por completo. 
Meio que não há escolha então levanta. Se senta. Esfrega os olhos, coça o rosto. Boceja. Há um silêncio dentro da sua cabeça que nem é perceptível ainda. Como se o corpo levantasse mas a alma ainda estivesse deitada. Mas vamos lá, onde está o outro par de chinelos? Ontem a noite eles estavam juntos.
Então vem aquele instinto de que tem que levantar. Vai até o banheiro, levanta a tampa do vaso. A primeira urina do dia, quase que automática. Os cabelos amassados e as olheiras. Lava as mãos e o rosto. A capacidade de potência aumenta um pouco. Dai você volta ao quarto, pega algumas peças de roupa e volta ao banheiro. Aquele banho de acordar. Ok, realmente acorda.
Preparar um café rápido porque sabe que já esta atrasado, come qualquer coisa. Os sapatos, droga, os sapatos onde estão? O barulho da chave. Eu tenho sorte, vou trabalhar de bicicleta pois não é muito longe. Na rua o mesmo de sempre. Trânsito, farol, fumaça, barulho de obra... Pessoas apressadas e o cheiro de café requentado. O mal cheiro nas esquinas da noite anterior, o comércio abrindo. Mais um dia no paraíso.
Quando entra no corredor pra chegar ao elevador o "bom dia" que já esta programado sai. Os botões do elevador. O tapete da porta. 

Hoje é segunda. As pessoas odeiam as segundas-feiras. Então hoje é segunda. São 7:55AM.
Mais "bom dias" programados, porta, caminhada, cadeira, mesa. Primeiro o monitor depois o computador. Guardar os óculos, esticar as mangas da camisa. Um copo de água, um gole de café. Vamos checar os e-mails? Ok, esse eu respondo agora. Esse mais tarde. Mais propagandas sobre produtos que não quero comprar. Mais propagandas de viagens que ainda não posso fazer. Ok. Mais um gole de café. E chega mais papel, confere, manda embora. Confere, manda embora. Um copo de água. Papel, papel, tesoura, grampeador. Ah, o maldito grampeador. Se há algo que eu odeio é esse maldito grampeador. Minha vontade é de jogar ele pela janela. Tirem esse grampeador de perto de mim. 
Hora do almoço servindo para ser hora do almoço. A comida não tem nem gosto direito. Já acabou. Voltar ao trabalho. 
Sabe quando você está tão, mas tão concentrado que o silêncio... Aquele da manhã esta na sua cabeça porque se encontra tão concentrado que só existe você e o papel que esta lendo. E-mail, e-mail, e-mail... Ouvir cochicho. Telefone. Risadinha. Impressora. Grampead... Ah, ele de novo. Café. 
São 15hs. São 16hs. São 17hs. São 17:55.
Desliga tudo, vamos embora.
Não é nem tão de noite, nem mais dia. É aquela hora que não sei o que... 
Amanhã vai ser tudo de novo. E vai ser terça-feira.


2014/10/14

Dia 1979

Eu não entendia sabe? Eu não sabia dar um porque ou então dar um jeito de fazer acontecer. Havia perdido noites de sono pensando no que fazer e não achei nenhuma saída. "Vou tentar mais uma vez, da próxima já era" pensava...
O lance é que eu dei muitas próximas vezes. Mas eu também era um idiota então não podia exigir muito. Mas mesmo assim, uma hora chegou e os mundos não se pertenciam mais. E a única defesa que eu tive foi terminar tudo. Bem ela aceitou tudo de inicio aparentemente muito bem. Quando caiu a ficha sobre como é fácil arranjar companhia por ai é que começou a bater o desespero. 
E por algum tempo eu quis esquecer ela entende? Eu queria poder sentar e dizer "esta tudo bem agora". Mas amor, muitas vezes é como um câncer que mesmo que tiramos o pedaço contaminado ele já tomou conta de tudo e não há mais volta. Dai você pensa 'Nossa, que coisa horrível ele comparando amor á uma coisa tão ruim." Na verdade não. Pergunte á um paciente com câncer, quais seus valores hoje e antes de descobrir o câncer. Um paciente com câncer teve contato com o verdadeiro, com o que fica realmente e o que vale a pena até o fim. É o que o amor verdadeiro ensina aquelas que sabem enxergar isso - o que realmente vale.
Bem, quando eu fui embora e não queria mais dar as caras ela sempre voltava. E ela vinha e eu mandava ela embora, sempre nessa ordem. Eu destratava ela o que foi meu maior pecado cometido até hoje. Me arrependo disso. Acho que é a primeira vez que falo sobre isso, aqui, nessas linhas tortas esquecidas por Deus.
Ela vinha sempre aqui. Os dias que eu voltava pra casa e via onde ela se sentava, aquele lugar normal sem a presença dela me dava vazio. Sim, me dava vazio. Era como cair pra dentro sem nenhuma corda pra se segurar. 
Quando ela estava lá eu ficava meio catatônico. Eu brigava e mandava ela embora de volta pra casa dela mas na verdade não era isso que eu queria. Eu estava com outra pessoa já, porque como eu disse arranjar companhia é muito fácil. Só que é foda quando você sabe que não vai dar certo aquilo mas quer acreditar que é possível. Você sabe que não vai dar certo, a pessoa sabe que isso não vai dar certo. Todo mundo sabe. Continuar com aquilo era enganar três pessoas: Ela, a pessoa que eu estava e a mim mesmo.
- O que você esta fazendo aqui?
- Não sei. Eu só quis vir. 
Ela deu dois passos e me abraçou. Começou a chorar, o choro mais sentido que eu senti em toda a minha vida. Ela derramou todas as lágrimas que eu nunca consegui fazer sair de mim. Eu a abracei de volta, não sabia o que fazer, o que dizer. Nessas horas é melhor não dizer nada mesmo. Com os olhos fechados tudo que eu mais queria era tirar toda a tristeza dela. Como se de alguma forma com a ponta dos dedos eu conseguisse atravessar sua pele e ossos até encostar em seu coração, tomá-lo em minhas mãos e apertasse bem firme até escorrer toda aquela angústia.
É foda, aquilo me abalou como se eu tivesse tomado um tiro ou algo do tipo. Depois daquele dia eu sabia o que eu tinha que fazer e eu fiz. Ainda estou aprendendo a não ser tão idiota e ser mais paciente, confiante e intuitivo. 
Uma vez conheci um inglês que disse "Se você quer saber quem mais gosta de você, fique doente. Vai ser a primeira pessoa á aparecer no hospital." Adivinhem só, estou no hospital. Tenho câncer, do tipo irreversível de cura. Ela esta sentada na cabeceira da minha cama lendo alguma matéria de revista. Meu câncer não é do tipo que a gente morre, ou melhor... É, mas a gente continua vivendo. Não é do tipo que a gente tem que tomar remédios, é mais aquele tipo que a gente da bom-dia todo dia e escreve "eu te amo" em letras garrafais por ai. Porque agora eu sei o que é importante. É ela, sempre foi e sempre vai ser... Ela.

2014/10/13

Dia 1978

Não é do tipo casual sabe? Quero dizer, não é convencional. Tradicional, esta mais para um sonho lúcido.
Você limpa o olho quando acorda esperando que esse gesto limpe também toda sua insônia e cansaço. Você ouve aqueles programas na rádio enquanto esta no trânsito esperando o farol abrir e o próximo também. A mão no volante vendo a linha reta da Paulista e o sol descendo já pela rua da consolação enquanto um casal de meninos e meninas atravessam a faixa e a senhoria passeia com o cachorro. O cheiro de café requentado com pão de batata e a gravata afrouxada. E o machucado no braço que nem lembra onde aconteceu.
O troco em moeda no bolso e o pacote de camisinhas aberto no porta-luva trazendo a lembrança do cheiro da pele dela á tona. A foto dos dois na carteira, a blusa pra um frio eventual no banco de trás. O pacote de bala começado do lado do freio de mão. 
A perna vira instrumento musical pra acompanhar a batida que vem do radio da musica finalmente boa mas já chegando em casa. O estacionamento solitário e os botões do elevador. O refrigerante sem gás na geladeira de três dias atrás e a comida de microondas. A bola de meia e o vento da varanda. As luzes da cidade. Ah, as luzes da cidade. 
Você fecha os olhos, respira fundo e se imagina em outro lugar. Então, qual lugar você se imagina estar agora?

2014/10/12

Dia 1977

São dois anos - Porque não paramos no tempo.
Eu juro que tentei escrever nessas ultimas duas semanas pra você. Mandar um correio, uma mensagem de celular, um recado oculto no bate papo da internet. Fiquei pensando "O que eu deveria dizer que a fizesse suspirar?". E adivinha só querida? Eu não consegui dizer uma só palavra. Nada. Nadinha.
"Eu te amo" parece tão pouco dizer nessas ocasiões que até deveriam ser proibidos. Mas que gosto tem essas três palavras hoje? Nossos "eu te amo" já evoluíram para "Hoje eu te busco na faculdade e voltamos juntos dentro do ônibus para você me contar o seu dia e eu ver você franzir a sobrancelha ao contar que  não respondi á sua mensagem." Ou então "Estacionei aqui na esquina, desce aqui que eu vim te ver." e até "Ok, eu vou te deixar quietinho escrevendo suas bobagens". Daqui á pouco é "Vamos á praia no próximo final de semana" e "hoje deixa que eu lavo a louça"... "Pode ir tomar banho na minha frente, eu vou terminar de ler esse capitulo".
Um dia me perguntaram se eu me arrependo de algumas coisas que já fiz ou falei. Foi uma pergunta difícil de responder porque se não fosse por algumas atitudes, hoje seria tudo diferente. Mas será que seria um diferente bom? Será que se eu não tivesse falado certas coisas ou feito, hoje eu seria quem eu sou? Hoje eu estaria mais feliz ou mais triste? Hoje eu estaria amando ou sofrendo? É complicado, mas de uma coisa eu sei: Toda lágrima e todo sorriso faz a gente subir um degrau na escada da vida. Independente de quem ou o que tenha causado isso em nós.
Estive um tempo afastado e a unica coisa que posso dizer é que me encontrava no alto das montanhas. Aprendendo. É, o valor das coisas e espero ter ensinado algumas coisas por ai também. Foi só quando eu não conseguia mais te fazer sorrir que eu parti meu bem.  
Casamento... Eu disse essa palavra pra uma amiga minha e ela comentou "Isso é coisa de gente grande". Bem, uma hora acontece sabe? Sei lá, você não acorda com 22 anos pra sempre. Uma hora... Simplesmente acontece. A pessoa perfeita, a hora certa. Destino, coincidência, os signos. Como se tudo conspirasse á favor e não contra desta vez.
São duas semanas tentando falar da sua covinha que aparece primeiro do lado esquerdo e depois no direito ao ver você sorrindo mas não consegui descobrir nada bonitinho pra escrever sobre isso.
Como se em duas semanas eu conseguisse resumir dois anos. Que estupidez achar que conseguiria. Mas será que você se lembra? Eram 3 da manhã e eu não conseguia dormir, você se escondeu no quarto do fundo para não acordar ninguém enquanto falava comigo onde a madrugada invadiu a nós dois. Você tinha um pouco mais de 18 e eu um pouco mais de 20 na identidade. Você, garota de apartamento e eu do mundo. E ai fomos consumidos por uma chama de paixão que não deixou morrermos sozinhos. A gente deixa ir porque sabe que volta. A gente manda embora porque sabe que fica. A gente diz que não mas sabe que sim.
Confiança não pode viver no mesmo espaço que segredos e mentiras. Te contei os mais obsoletos segredos e ultrajes e você continuou aqui. E mesmo que eu tenha passado por 100 corações por ai, não há lugar igual ao nosso lar. E eu senti saudades de casa enquanto estive fora. Minha casa é o seu lado esquerdo do peito. É tão... Meu.
Nós nunca sabemos o resultado das nossas ações. Ás vezes, algo que estamos fazendo nesse exato momento pode estar desencadeando uma sequência de acontecimentos que vai influenciar daqui 10 anos. Cara, isso é insano! Você lendo esse texto agora mesmo pode influenciar para uma série de acontecimentos começar. E uma infinidade de outras coisas. Da até pra enlouquecer pensar nessas coisas. Mas uma minúscula coisa que fazemos afeta sempre uma cadeia de outras tantas. É a ordem do caos, se é que há alguma existente.
Eu não sou nada, eu sou a ponta do cigarro que não foi tragada. Eu sou a marca de batom que ficou no copo de Scott. Enquanto ela é tudo. É o primeiro raiar de sol que entra pela minha janela, é o primeiro pensamento do dia... Ela é quem faz o vinho ficar mais roxo e o céu mais azul. 
Sabe que, na minha primeira sessão de terapia e terapeuta pediu pra que eu desenhasse 3 coisas: Uma casa, uma árvore e uma pessoa. Minha casa porém estava de portas trancadas e minha árvore não tinha raízes. E até a pessoa que eu desenhei não fazia - e nunca fez - muito sentido. E foi depois de dois anos que eu entendi, que assim como aquela música do Audioslave eu esperava que quarto por quarto eu encontrasse você. Eu tive que passar por dois anos pra entender que por você eu deixo a porta aberta e que você é - e sempre foi - as minhas raízes. 
Ás vezes eu vejo você sentada no sofá da sua vó naqueles almoços de domingo á tarde e fico te reparando enquanto você não vê. E eu te acho tão bonita minha querida. E ás vezes também sábado a noite eu penso que troquei todas as cervejas geladas e os papos vazios com aquelas luzes de neon dos bares do centro com os amigos só pra te colocar pra dormir com um pouquinho mais de carinho.
Você sabe, eu faço tudo errado mas não é por mal. Eu tento fazer tudo, tudinho certo pra você. Preencher todos os vazios e estar com você pra tudo.
São dois anos e só demos uma pausa pra tomar fôlego. Mas agora é sem pit-stop e seguir por ai... 
Então vamos viver...
A liberdade é essencial pra mim
Felicidade é essencial pra mim
Se quem eu amo tem amor por mim
Eu sei que ainda estamos longe do fim ♫

2014/10/05

Dia 1976



[23h06 04/10/2014] Eu gosto quando você ao dormir comigo, me abraça fazendo com que eu me sinta segura
[23h07 04/10/2014] Gosto quando me olha serio nos olhos como se descobrisse meus segredos
[23h07 04/10/2014] Gosto quando você me beija devagar e apaixonado
[23h07 04/10/2014] Gosto quando você brinca com as minhas mãos
[23h08 04/10/2014] Gosto quando você me faz carinho quando eu deito no seu colo
[23h09 04/10/2014] Gosto do som da sua gargalhada e acho que devia rir mais assim
[23h09 04/10/2014] Gosto quando me chama de pequena, naquele tom de protetor
[23h09 04/10/2014] Gosto de te dar bom dia todo dia
[23h10 04/10/2014] Gosto quando me da bom dia ao acordar do meu lado
[23h10 04/10/2014] Gosto quando nossos pés se encontram debaixo do edredom
[23h11 04/10/2014] Gosto quando me olha apaixonado
[23h12 04/10/2014] Gosto da sua respiração no meu pescoço
[23h13 04/10/2014] Gosto quando você fala baixinho no meu ouvido
[23h14 04/10/2014] Gosto quando sorri sem eu ter feito nada
[23h15 04/10/2014] Gosto quando faz eu sorrir
[23h15 04/10/2014] Gosto quando você me esquenta o café e senta do meu lado.
[23h15 04/10/2014] Gosto de você sorrindo também 
[23h15 04/10/2014] Gosto de amar você
[23h15 04/10/2014] Gosto de ter certeza que você é meu homem

2014/10/02

Dia 1975

Um belo dia você acorda e se dá conta que está cansado.
Você se cansa da cidade, dos carros, das luzes. Você se cansa do lixo, das pessoas, do barulho. Se cansa de não saber para onde ir, se cansa de não ter para onde ir e precisar ir para algum lugar. Você se cansa de não ter razão, de não ter caminhos, de não ter opções, se cansa de ver sua vida igual a de todos os outros, se cansa de ser de um rebanho sem pastor. Você se cansa de chefes, deuses, impostos, moda, dinheiro, celular. Você se cansa da sensação de estar desperdiçando seu tempo, você se cansa de não ter tempo algum para desperdiçar. Você se cansa de viver em um mundo onde quem não está desesperado, está louco. Você se desespera com medo de enlouquecer. Respira fundo, acende um cigarro. Você se cansa de não saber exatamente do que está cansado. Se cansa do “alguma coisa está errada” que paira sobre o ar desde uma época que você não se lembra. Se cansa das avenidas, das ruas, das alamedas, das praças, do sol, dos postes, das placas de sinalização, das buzinas, dos pontos de ônibus, dos aeroportos. Você se cansa de amores incompletos, de amores platônicos, de falta de amor, de excesso disso e daquilo. Se cansa do “apesar de”. Se cansa do rabo entre as pernas, da sensação de estar sendo prejudicado, se cansa do “a vida é assim mesmo”. Você se cansa de esperar, de rezar, de aguardar, de ter esperanças, cansa do frio na barriga, cansa da falta de sono. Você se cansa da hipocrisia, da falsidade, da ameaça constante, se cansa da estupidez, da apatia, da angústia, da insatisfação, da injustiça, do frenesi, da busca impossível e infinita de algo que não sabe o que é. Se cansa da sensação de não poder parar. E você não para, até que esteja morto.

2014/09/27

Dia 1974

Espera ai, segura as páginas dos sonhos que não li. Eu estou apaixonado. Mas calma, era pra ser um processo mas foi repentino. Quando eu vi, já foi. Rolou um beijo, um abraço, um sexo e um amor inteiro de vidas inteiras. 
Quando eu me dei conta, já estávamos de mãos dadas, de lábios juntos, de eternidades misturadas. Refrões compartilhados, café na minha xícara e chocolate pra TPM dela. Quando fui ver, eu estava colocando crédito no celular dela e ela cobrindo minhas costas no meio da noite. Ela sorria e eu fazia careta, combina sabe? 
6 bilhões de almas buscando uma que esquente seu café e eu aqui fazendo o café da manhã dela. Ela andando de calcinha pela casa depois do banho e eu colocando Scracho pra ela escutar. Eu uso xadrez e ela listras, combina sabe? 
O tempo é mais curto, a vida é longa... A busca é sublime pra achar o sorriso dela quando ela não esta aqui. Mas calma! Tem o sexo. E o sexo, ah, esse é foda. É foda e amor ao mesmo tempo, combina sabe?
E hoje é sábado. E eu adoro os sábados. Porque aos sábados eu durmo na casa dela, na cama dela. Com ela. Então ela me ajuda a fazer a barba que eu nunca faço e eu faço massagem nos pés cansados da semana, combina sabe? 
Mesmo que eu acorde dolorido por dois dividir uma cama que é pra apenas um. Mas ai eu percebi... Ás vezes o amor é tão grande que cabe numa cama pequena.

Dia 1973

A melhor coisa que podemos dizer sobre uma fotografia é que ela vai ser sempre a mesma. Mesmo que as pessoas nela não.

Dia 1972

Eu vi crianças rastejando no chão, procurando algo pra comer. E eu vi grandes arvores, em pé ha dois mil anos, saudáveis.
Eu vi uma idosa chacoalhando a cabeça porque ainda não compreende a maldade no coração dos homens. E eu bebi da água mais fresca e mais limpa, na concha das minha mãos.
Eu estive em ruas tao sujas, que era difícil caminhar por conta disso. E eu peguei no sono ouvindo pássaros coloridos cantarem as mais belas melodias.
Eu vi muita dor e assassinatos nas telas das TVs. E eu senti os golpes das mais límpidas ondas no mar mais cristalino.
Eu vi pessoas gritando umas com as outras, raivosamente, dentro de seus carros. E eu respirei o ar das montanhas, que rejuvenesceu meu espirito.
Eu vejo as cadeias de fast food crescendo. E eu me alimentei de peixes pescados minutos antes de irem à mesa. Nesses tempos de guerra e consumo, em que nosso planeta esta aquecendo demais, é bom olhar à volta e perceber que ainda existem magicas, do chão ao céu. O amor é a única Revolução verdadeira.

Dia 1971

Cheguei a um ponto da minha vida por todas as experiências que tive, que se vejo alguém dando pra trás do que elas me disseram que fariam logo eu saiu da linha de rota delas. Algumas pessoas chamam isso de abandonar, eu, de não sofrer o efeito colateral.
Sei como é foda você depositar idéias, sonhos e tudo mais em um ponto e esse ponto desviar do caminho. Você pensa "Então, pra que eu estou fazendo isso?". Somos capazes de sobreviver a essas coisas horríveis, pois somos tão indestrutíveis quanto pensamos ser.
Quando o bagulho fica foda, a maioria corre ou fica esperando. Eu não sou do tipo que fica esperando sabe? Tudo meu é pra ontem. Esperar não é da minha natureza, então se quer me surpreender é só fazer algo que ninguém espera que você faria... Inclusive eu.

2014/09/19

Dia 1970

Espera ai. Cheguei agora da rua, passei no mercado e trouxe alguns congelados, batatas smile - sou viciado nelas - e alguns macarrões instantâneos. A vida de quem mora em apartamento sozinho se torna um pouco instantânea não é verdade? O bolo de caneca é instantâneo, o macarrão é instantâneo. Até a sopa em dia de gripe se torna instantânea. E agora nesse apartamento eu tenho que dizer que as coisas mudaram. Bom, desde que ela foi embora eu acho.
Mas pra você entender tudo eu tenho que contar como tudo começou. 
Estou esquentando um café e esse não é instantâneo, você quer?
Quando fiz 23 anos eu consegui comprar meu primeiro apartamento. Ainda estou pagando na verdade. Mas ele já é meu. Ele não tem nada de "Nossa!" ou "Uau!", ele é só meu. Algumas paredes e um piso de azulejo branco. Com o tempo ele foi ficando mais respeitável. Um sofá bacana que pegava a luz que vinha da sacada. Alguns discos de vinil na parede e quadros faziam a decoração. Aquela flor, como é mesmo o nome? Copo de leite. E tinha um vaso com 2 delas. Mesa de jantar. Algumas revistas e livros na estante. Estatua de buda e alguns símbolos indianos. Fotografias... Só da Marilyn Monroe em um quadro e duas de paisagens das viagens que fiz. Um sofa-cama na sala de couro preto. Um tapete peludo pra ficar style. E a mesa de centro de madeira escura com aqueles enfeites.
Era um sonho sabe? Afinal, que Paulistano não gostaria de morar no centro? Meu condomínio ficava no bairro da Consolação. Procura no google. É legal aqui. Tem bons bares. Grafite nas paredes. De vez em quando tiro foto de alguns e posto na internet. Clima agradável nas ruas e é só subir a rua e eu acabo na Av. Paulista pra tomar algo no Starbucks. Pessoas passeiam com seus cachorros na rua e recolhem a sujeira, o que é melhor.
No começo eu não ligava muito pra limpeza do AP. Era apenas eu. Mas sempre havia musica tocando em casa. O Rappa, Engenheiros do Hawaii. Paralamas. Titãs. Los Hermanos. Ultraje... De vez em quando até tocava um Oriente, Ponto de Equilibrio, Forfun, Haikaiss. 
Ás vezes eu ficava a noite na varanda vendo as luzes da cidade, brincando em tentar descobrir o que a pessoa que esta com a luz ligada no apartamento da frente esta fazendo. Ás vezes ela acabou de sair do banho ou esta falando com o namorado ao telefone contando como foi seu dia. Ou então esta arrumando as coisas pro próximo dia de trabalho. 
Nunca fui bom com palavras. Não sou poeta, mas escrevo como se fosse um. Queria ser. E se fosse, escreveria sobre as luzes da cidade. 
Então veio essa garota. Que começou a frequentar meu apartamento. Acho que foi nessa parte que eu comecei a arrumar meu AP. E regar as plantas. E passar o aspirador. Essas coisas.
E ela, essa garota, vinha me visitar com frequência. Então a casa sempre estava limpa. A geladeira farta, nada rápido de fazer porque eu queria que ela ficasse por muito tempo ali. Então eu cozinhava pra ela ficar pro jantar. Escolhia o melhor playlist de Engenheiros porque ela adorava Engenheiros. Dai a gente sentava na varanda e ficava vendo as luzes da cidade juntos. 
Quando eu chegava da rua, tinha a mania de passar a chave na porta e colocar a chave em cima da bancada em frente a porta. Tinha um espelho grande e redondo nela. Para aquela ultima olhadinha antes de sair sabe? O telefone da casa ficava nessa bancada também e um bloquinho de anotações com uma caneta. 
Ela já tinha vindo tantas vezes que passava direto pela portaria. Quando sabia que ela vinha eu deixava a porta aberta enquanto eu cozinhava. Entrava como se morasse ali. Eu gostava disso. 
Mas então simplesmente um dia ela parou de vir. Só nao veio mais. Talvez tenha se enjoado de ouvir Engenheiros do Hawaii ou sei lá.
Eu parei de ouvir a risada dela cruzando a porta. Não tem mais música no apartamento, agora é só silêncio. As comidas são instantâneas. As luzes parece que se apagaram todas e eu nem acho mais meu controle remoto nessa sala enorme. 
Mas sabe que, eu ainda deixo a porta aberta. Eu ainda sento na varanda. Eu ainda espero ela entrar.  

2014/09/16

Dia 1969

Falar de sexo é sempre um pouco complicado, certo? Errado. Sexo é fácil de falar. Sexo também é fácil de fazer. Na verdade, sexo é foda. É tão foda que você acha muito fácil. Uma foda barata, uma foda sem sentimento, sem o se apegar. Aquela foda rapidinha numa noite de quarta feira sem lembrar nomes nem trocar números de telefone. Tem até aquela foda de um feriado solitário. E a foda de aumentar o ego. E até a foda de pensamento.
Mas e fazer amor? 
Fazer amor é diferente, você liga no dia seguinte e diz que ela foi incrível e que ela é linda. Ou então nem precisa ligar pra deixa-la dormir, mas manda uma mensagem pra ela ler quando acordar. Você dorme o sono dos anjos depois de fazer amor. Assalta a geladeira, fuma um cigarro, fica abraçado na cama e abre a janela pro ar entrar. Quando você faz amor não sente culpa como se fosse algo errado ou, politicamente incorreto. Porque afinal, é amor e quem julgará o amor?
E há aqueles que são pateticamente evasivos, vivendo a vida como um gozo que nunca é ejaculado, fodendo a vida como um sexo que nunca fará. Existem os que trepam, os que correm e os que amam. Simples assim.

Dia 1968

Quando você sente uma dor pela primeira vez ela parece insuportável. Parece que você vai morrer ali e que nada vai parar aquela dor. Uma pedra no rim por exemplo, quem teve sabe como é. A dor do parto também. E até mesmo a dor do coração partido.
A primeira dor é mortal e nos faz morrer - inevitavelmente -  pela primeira vez. Conforme sentimos a dor com mais frequência acabamos nos acostumando com ela. E ela já não se torna um mal tão grande assim. O grau de dano é bem menor do que o da primeira vez. 
Nisso vem a segunda, terceira, quarta vez. Porém apenas um coração. Sim, eu confesso. A dor pior é de um coração partido. Depois de uma, duas, três vezes o coração já fica calejado de tanta dor e ela acaba se tornando sua amiga. Sua aliada. E você aprende a lidar com ela. A cuidar da sua dor. Porque ela é sua e de mais ninguém. Fundamentalmente, sem possibilidade de odiá-la ela é totalmente sua. E não a reneguem, pois ela é muito boa. Nos lembra, muitas vezes de que ainda estamos vivos. 
Tem dias que somos a dor que causaram na gente e tem dias que somos a dor que causamos em nós mesmos. 

Quantas vezes eu não senti vontade de sair do corpo e encarnar um objeto sem vida. Um lápis talvez, ou qualquer coisa inanimada, silenciosa, parada, sem vida. Pois era assim que eu me sentia. Mas passou. Eu chorei, as lágrimas acabaram, tudo acabou. Meus olhos secaram, e eu descobri a inutilidade de chorar por coisas que não valiam à pena. A dor é igual um barco que você observa da praia, parece que está parado, você se distrai com outra coisa, e quando vai ver o barco está longe. Se você estava sentindo uma dor quando começou a ler isso, agora ela é menor do que antes. É difícil de acreditar quando se está mal, tudo vira dúvida, mas eu entendo. Você pode não saber, mas supera. Sua cama parece o melhor lugar, então deite, durma, esqueça. Ou não esqueça, mas deite e coloque sua música predileta no fone, escute e ignore um pouco essa sua vontade de sair por ai, gritando aos sete ventos metade das coisas que sente. Também não publique a dor em redes sociais, ninguém liga pra isso realmente. Não é errado não saber tudo, só não se esqueça de saber o essencial, que é esquecer. Tudo passa, e não são só os momentos perfeitos. Por mais que a dor te lembre e te incomode, ela nunca diz a verdade completa… Ela nunca diz que vai passar.
Em dias tristes, todo café é amargo, todo livro é chato, o clima é frio, as roupas incomodam, a comida perde o sabor, e a vida é cinza, mas isso é apenas a ótica de uma pessoa decepcionada, pois é capaz que nem esteja tão ruim assim, mas as lágrimas são capazes de obstruir a visão.
E quantas vezes eu quis ser um lápis ou qualquer coisa assim?
Por fim, concluímos que ás vezes aguentamos mais dor do que somos capazes de suportar. 

2014/09/13

Dia 1965

Ja deve ter ouvido falar naquela frase de "é você e sempre vai ser você" certo? Mas sabe de onde vem a origem dela?
Senta aqui um pouquinho. Pega um café ali, acabei de fazer... deixa eu te contar tudo como foi.
Eu era bem pequeno em relação ao descobrimento do mundo, em particular o meu. E não entendia muita coisa e até hoje eu não entendo. Bom, é... sobre ela, eu não entendia muita coisa sobre qualquer coisa ou, coisa alguma. Mas eu sabia. E não era o tipo de coisa que você aprende com o tempo e convivência sabe? É mais uma das coisas que eu não entendo e nem forço a entender. Eu só sabia e eu sabia tudo sobre ela. Tudo que tinha pra saber. Desde de qual picolé ela queria comer ali na hora até a aflição ao separar o bombril nas mãos dela. E eu não precisei aprender nada disso. Eu só sabia cara... eu só sabia.
Acho que é porque eu era igual a ela ou porque a amava de verdade. Não sei direito dar um significado do porque, mas sabia de tudo. É o tipo de conexão rara, pura e especial. Única. Quase extinta. E é, temos isso. Muito disso.
Não faltava o essencial, eramos felizes apenas porque o dia nasceu. 
Começou ai entende? Se ontem ela era meu crime hoje ela é minha sentença. Estava feito. Todo dia em meio as cenas vazias ela me dava um ponto de equilibrio, uma coisa pra ser visionária. Todo dia eu tenho que me levantar e ir trabalhar. Todo começo de mês eu tenho que pagar minhas contas. Toda dia tem algo que se torna rotineiro e ela me faz sair disso. 
São 23:50 dentro desse busão vazio voltando da casa dela e tudo que eu quero é pegar o sentido contrário e voltar. Voltar pra casa dela, pro sofá dela, para os braços dela. Pra ela. Pra ela cara!

2014/09/08

Dia 1964

Eu queria que as pessoas parassem de reclamar do amor que não deu certo e começassem a seguir em frente e procurar um amor que dê certo. Eu queria que as pessoas parassem de procurar motivos para não amar alguém e começasse a ver que viver é amar. Eu queria que as pessoas parassem de amar o passado e começassem a se apaixonar pelo futuro. Eu queria que as pessoas pensassem nas atitudes e nas palavras antes mesmo de pô-las em prática. Eu queria que as pessoas começassem a se amar primeiro, antes mesmo de pensar em amar alguém. Eu queria que as pessoas valessem o perdão que costumamos oferecê-las sempre que erram conosco. Mas, na verdade, eu queria mesmo era seguir os meus conselhos.

Dia 1963

Nós não demos certo. Nunca daremos. Nunca daríamos. Mas eu gosto de pensar que um dia demos certo. E que fomos felizes.

2014/09/01

Dia 1962


Antes de qualquer coisa eu digo que você não deveria ler esse texto até o final. Você tem dezenas de outras coisas mais interessantes para fazer que vão ocupar ao máximo seu tempo e a bateria do seu celular, o mesmo que você segura agora ao ler cada palavra aqui. 
E assim como a bateria do seu celular que já esta ultrapassando a barrinha verde para ir á "zona de perigo" muitas coisas acabam. A pergunta inicial de tudo isso é: O que é infinito?
Sim, eu assisti A Culpa é das Estrelas esse final de semana deitado debaixo da coberta na cama com a minha mulher comendo sorvete de chocolate branco, me julguem. Foi um pouco depois quando eu estava na padaria e mandei foto da geladeira pra ela escolher o sabor e ela disse pra levar o Laka branco. Eu pensei comigo "boa escolha", eu sou viciado nessa droga. Mas ela não sabia até eu comer duas travessas. Enfim... Colocamos o filme e eu não coloquei muita fé nele. E ele é bom sabe? Não é um clichê, ele me surpreendeu. Não é nenhum blockbuster mas conseguiu me fazer pensar. O garoto da história diz que seu maior medo é ser esquecido. É, quem não quer ser lembrado né amigo? 
As pessoas fazem isso desesperadamente todo o tempo com suas fotos de si mesmas. De uma forma incrivel tentando marcar o tempo todos os dias para que daqui, 10-20 anos pensem como mudaram ou o que conseguiram nesse tempo. Mas tenho que dizer, isso é um tanto quanto inutil. 
O primeiro questionamento que veio na minha cabeça foi: O que devemos fazer para sermos lembrados? Schopenhauer fez mais do que mudar o rumo da historia e você, aposto, que nem sabe quem é esse cara. Schopenhauer acreditava no amor como meta na vida, mas não acreditava que ele tivesse a ver com a felicidade. E ai podemos incluir o dizer de Shakespeare, dizendo que: "A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional." Significa que não necessariamente porque você ama, você esta feliz. E quer saber porque? Eu conto...
Por causa do medo. Voltando ao filme, podemos dizer que eles temiam a morte não por ser um fim, finito, mas sim... Porque iriam se afastar. Todo mundo tem medo de alguma coisa, não da pra negar. E o segundo questionamento que veio na minha cabeça foi: Do que você tem medo?
Eu, mais do que a maioria sei o que é ver algo ser finito. Eu já devo ter dito - é claro que eu já disse alguma hora - que perdi meu pai muito cedo. Eu tinha dez anos. Iria fazer onze, um mês depois que ele morreu. Naquela época, em frente ao jazigo dele por diversas vezes me vi pensando na vida e como ela é frágil. E ali, eu tive o primeiro entendimento do que é algo finito. E não digo de matéria, mas de algo que simplesmente não vai mais existir e somos obrigados a aceitar. Sabe, namoro que você terminou da pra reconstituir. Dinheiro que perdeu da pra conseguir de volta com bom trabalho. Uma bota velha da pra ser concertada. Mas tem coisas que não tem como voltar. Eu queria ter tido a oportunidade de dizer como eu o amo e como sinto a sua falta. Mas não tive. Ás vezes demoro mais no banho e fico falando comigo mesmo, como se ele pudesse me ouvir. Espero quando encontra-lo novamente ele me diga "é, eu ouvia tudo" assim não vou me sentir tão idiota por falar sozinho debaixo do chuveiro.
Não sei definir palavras como 'único' ou 'amor' e até mesmo 'tempo', mas sei definir palavras como 'saudade' e 'esperança'. Saudade é quando eu estou na fila do supermercado e vejo um pai brincar com seu filho no carrinho. Esperança é o que eu tenho quando penso que posso fazer isso mais pra frente. 
Assim, da mesma forma que eu não consigo algumas coisas porque entendo o que é o finito eu penso quando escrevo. Quero dizer, esse pode ser meu último texto. O que eu deveria dizer? Algo engraçado para fazer aparecer um sorriso nos lábios ao chegar no ponto final? Ou algo emocionante para que você retire trechos e cole no seu mural, na legenda da sua foto na praia ou algo assim? Ou os dois? Eu penso nisso por breves segundos e logo esqueço e continuo a escrever. Bom, mas nem sempre as coisas se acertam no próximo parágrafo não é mesmo?
Por isso, eu quero pedir desculpas a cada mulher que magoei porque fui um babaca. Em especial a minha mulher. Não que isso vá valer de alguma coisa mas, enfim... Se esse for meu último eu não quero pensar que não disse o que deveria.
Aliás, por favor nada de tristeza. Não é á toa que eu só tiro foto fazendo alguma graça, nada de sorrisos ou caras simpáticas. Eu gosto mesmo é das caretas. Não quero minhas fotos expostas em um video com alguma música triste de fundo e as pessoas chorando olhando aquilo. Eu morro de novo se isso acontecer. Mostrem as caretas e toquem Brasilia Amarela dos Mamonas. Nada de igreja ou padres passando mensagem de esperança em trechos da Biblia. Isso é pra quem quer pedir perdão ou agradecer pelo filho que sarou de uma doença. Me levem para o campo e um data-show enorme. Quero as pessoas tirando sarro de mim e rindo junto comigo. Ao fim, joguem minhas cinzas ao mar. Recebam isso como um pedido pessoal, isso claro, se esse for meu último texto. 
E... Lembram da mulher do sorvete Laka? Bem, depois de falar tanto de finito deixa eu falar um pouco de Infinito. Ela é meu infinito cara. E não há nada mais importante pra mim. Não há nada que eu faça no meu dia ou pense que ela não esteja ali. Eu fui embora e voltei e ela ainda estava aqui. As pessoas não fazem mais isso. As pessoas não fazem e ela fez. Depois de nós dois destruirmos nosso relacionamento, foi ela que nos salvou. E por isso eu vou ser eternamente grato. Ela nem faz idéia de que eu estou falando dela nesse exato momento, ela esta na faculdade e eu deveria estar estudando. Mas que se dane, ela é linda e tem o melhor abraço de todos. E de uma forma que não sei explicar, ela salva todos os meus dias. Antes, agora e depois. Tudo isso porque ela é meu infinito. 
Alguns são maiores que outros. Obrigado.
Eu te amo.