2018/05/06

Dia 2435

Aquele beijo tinha gosto de cigarros e cerveja. A verdade é que eu não sei dizer como chegamos até aqui. Lembro de alguns fragmentos, conversas aleatórias sobre o tempo e relacionamentos. Talvez tenha sido na parte que ela disse "A gente percebe que esta deprimido quando passa a implorar todos os dias aquilo que as pessoas só pedem no final do ano." E fiquei pensando em qual seria a última coisa que pedi no ano que passou ou algo assim.
Houve outra parte em que eu não sei o que ela dizia, realmente eu não estava prestando atenção mas os olhos dela eram lindos. Parece clichê de cantada barata mas eu não conseguia parar de olhar para aquela imensidão castanha clara que quando ela virava, a luz sobre nossas cabeças fazia eles mudarem de cor para caramelo ou mel e era tão claro que quando ela ficava de perfil para beber mais um gole no copo eu conseguia ver através deles. E dai ela me perguntava "o que foi?" e eu respondia "Nada!", mas era aquele 'nada' cheio de tudo.
Na real ela parecia uma garota solitária que fodia de vez em quando para não se sentir tão sozinha ás vezes aos sábados a noite. Por outro lado ela era aquele tipo de garota que a gente dedica uma trilha sonora especial da nossa vida só pra ela. Aos meus olhos, ela era sempre linda.
Por fim, creio que foi sobre os assuntos que pensávamos igual. Sobre porque algumas vezes insistimos em pessoas que não fazem nenhuma vírgula na nossa história ou, porque ás vezes nos submetemos a situações das quais só a gente sai com o coração partido? Porque perdemos nossa liberdade e como fazer para recuperá-la? Esses vários porquês que deixamos para lá até algo acontecer. Mas eu não, nem ela. Nós questionávamos tudo. Parecia que tudo tinha que ter uma justificativa para repassarmos ao mundo.
Ao acabar, antes de irmos cada um para o seu lado nos beijamos. E aquele beijo tinha gosto de cigarros e cerveja. Nenhum dos dois ligou para isso. Na manhã seguinte quando virou pra mim coberta com meus lençóis perguntou: "eu posso ficar?" E na minha cabeça as respostas eram "por hoje, por essa semana ou a vida inteira?". Mas a única resposta que eu consegui dizer foi: Eu faço o café.



2018/04/29

Dia 2434


Temos que ver o que estamos fazendo, digo. Se tratando de estar com outra pessoa entende? Geralmente procuramos pontos e mais pontos que combinem em meio ao vasto campo de opções. Realizamos esse filtro e falando assim parece até uma coisa horrível não é mesmo? Mas não é, imagine você estar com alguém que não gosta de assistir filmes no cinema enquanto você é um rato de Cinemark com carteirinha vip ou, alguém que nunca ria das suas piadas enquanto todos seus amigos te chamam para os lugares justamente porque você é o piadista do grupo? São idéias bem pequenas se pararmos para pensar em uma visão macro disso tudo.
Depois de tanto escolher (porque sim, somos todos exigentes) definimos que vamos arriscar em uma pessoa finalmente. Mas por mais que essa pessoa combine com você em muitos pontos, sempre haverá o ponto em que não vão combinar, nunca. Essa é a parte da história que dizemos: É necessário respeitar certas diferenças para não haver indiferenças. 
O ponto de não apreciação na outra pessoa nem sempre é um defeito nela. Ok, você pode ver assim mas tente não enxergar dessa forma. Aquele pontinho em especial só é diferente do que você esperava ou queria. Não é o motivo para que tudo acabe ou que, ele se torne o monstro da sua vida. Você com certeza tem pontos que também não o satisfazem e nem por isso ele(a) deixa de estar ali. Sou de um tempo que quando as coisas quebravam, a gente concertava elas e não simplesmente jogava fora.
Vi muitos casais se desfazerem porque apenas não sabiam respeitar algumas diferenças. Outros, porque não queriam entender essas benditas diferenças. Outros até porque queria continuar mas forçavam a mudança dessas benditas diferenças. Sendo que há um caminho mais fácil para tudo isso que é, apenas respeitar isso. Apenas quando há mais diferenças quanto a compatibilidade dos dois, pode-se sim salvar um relacionamento havendo diferenças entre os dois.
Cobramos muito dos outros, mas o que estamos fazendo para nos tornarmos especiais um para o outro? O que nos torna únicos na vida da outra pessoa? Se não temos respostas para nenhuma dessas perguntas, a pergunta que vem agora é: Quando vai começar a fazer algo? Todo mundo gosta de carinho, de se sentir especial, de ser surpreendido e nos sentirmos queridos. Mas também temos que ser corrigidos em meio as nossas diferenças porque algumas vezes nossas diferenças machucam as pessoas. É tudo uma questão de pesar o que vale mais a pena entende? Vale a pena eu continuar batendo o pé e ser o que eu sou ou posso crescer para ser alguém melhor e deixar quem esta comigo continuar a trilhar esse mesmo caminho? Casais felizes são os que crescem juntos e não os que pensam apenas em si mesmos para depois pensar em todo resto.
Se eu decidi escolher uma pessoa em meio a todos esses outros milhões de opções, eu vou fazer o que eu puder para que ela suba o degrau acima do meu e eu sempre alcançando ela. Assim, ambos continuamos a subir. Feliz aquele que tem uma mão que o puxa para cima, triste aquele que carrega o fardo de subir sozinho. No final da escada o abraço de terem chego e superado a subida juntos é bem mais feliz do que aquele que olha para trás e só vê degraus. Pense nisso, seja especial para alguém.

2018/04/22

Dia 2433

Essa é a parte mais triste da história, o tal momento em que os nós se desatam e você sente o seu coração virar pedaços. Você se pergunta como vai conseguir ir em frente. Você chora na esperança de que a dor se vá junto com as lágrimas.
Você se sente mais perdido do que qualquer criança quando se perde da mãe no supermercado. Você fecha os olhos, se belisca, pede de joelhos que tudo seja apenas um pesadelo, mas aí você abre os olhos e a dor continua lá. E por mais que continue lá, é você quem decide se ela vai te consumir ou se vai superá-la e pegar como aprendizado. 
Embora todas as perguntas, medos, inseguranças que temos, mesmo que o coração se devaste, mesmo que as esperanças cheguem a se esvair, mesmo que tudo não tenha passado de uma ilusão idiota da sua cabeça, a decisão de seguir em frente sempre será apenas nossa, e honestamente, decidir é tão ruim , é exaustivo, mas como todas as histórias, sempre há um final. Sinceramente, torço muito para que tudo fique bem, mesmo que agora a única vontade que tenho é de deixar tudo explodir sozinho.

Dia 2432

Gosto daqueles dias turbulentos, aquela correria pra cumprir prazos e um amontoado de trabalho. Pelo menos nessas horas o coração e mente param um pouco de repousar em você, espero que com a agenda cheia eu consiga te esquecer.
Tudo bem, eu sei que tenho grande parte de culpa nisso. Eu sei. Prometi que isso iria mudar, que os motivos seriam outros, que os caminhos seriam novos. Prometi que não iria mais falar de você, que me livraria de tudo que se remete a você. Eu disse, mas nem assim eu consegui. Faz falta as risadas, as brigas, os carinhos. Eu me perdi sem você, e por mais que isso seja clichê, pensar no que eramos e sentir a sua falta ainda dói. Me tira o sono, a vontade de comer, de sair. 
Eu queria aceitar que não somos mais o que fomos um dia. Eu queria muito aceitar que isso vai passar, vai acabar, que no fundo não irei mais lembrar. Eu sou tolo, ciumento, egoísta, chato, teimoso, birrento. Sou tudo isso que você provavelmente pensa de mim, mas também sou aquela pessoa que apesar das maneiras tortas, te amo por demais e não aguenta mais ficar sem você. Eu estou tentando dar o primeiro passo, então, dê um também e volta. Porque não houve um dia sequer que não senti a sua falta.

Dia 2431

Um dia acordei e decidi ser tudo aquilo que eu queria realmente ser. O corpo e a alma precisa de novos desafios, entende?  A busca da felicidade é pessoal, e não um modelo que possamos dar para os outros. A cada momento da nossa existência temos que escolher entre um caminho e o outro. O simples fato de escolher pode mudar um minuto ou a vida inteira. 
Houve um tempo em que eu queria mudar o mundo. O tempo passou e quis mudar apenas a minha família. Mais tempo se passou e cheguei no hoje, onde quero apenas mudar a mim mesmo. O tempo não muda o homem, mas o homem muda o homem. Eu quis, um dia, transformar o ato impossível em algo concreto. 
Porque se isso tudo não tivesse acontecido, eu não estaria aqui agora com vocês e estar agora aqui com vocês é muito importante porque a nossa vida esta inteira aqui onde nós estamos. Ela não esta no antes nem no depois, mas o antes e o depois constroem este momento presente, e ele é tudo, tudo, tudo de melhor, porque nós podemos falar, ver e ouvir e consequentemente... Sentir. É tudo hoje e o hoje acaba rápido demais.

2018/04/21

Dia 2430

Outro dia estava lembrando o início da nossa história, parece que foi ontem que tudo começou. Aquele café que na verdade virou chá e uma conversa que não parecia ter fim. Nesse período foram olhares, sorrisos e vontades iniciadas naquela mesa de cafeteria em um shopping que frequentamos até hoje. Ainda me pego olhando e buscando todo o encantamento que você me proporciona diariamente, fácil hoje olhar você e ver como cresceu com nosso relacionamento, como identifica com facilidade meus dias ruins, como entende minhas necessidades e o momento que não quero conversa e preciso ficar em um cantinho sozinha.

Escrever que me apaixono por você a cada instante parece até clichê, mas não encontrei ainda maneira de descrever esse sentimento diário e continuo que sinto sempre perto ou distante, acordada ou dormindo, até nos momentos que você me tira do sério e acontece uma discussão (eu também te tiro do sério na maioria das vezes), até nesses o amor consegue se sobressair, nos mínimos gestos de carinho que você me proporciona. É no acordar que me enche de beijo a fim de me despertar, ou quando sai do quarto quando acorda esperando que eu desperte sozinha e não me incomodar com a luz do celular, ou quando faz a massagem nos pés depois de um dia duro de trabalho e usando um salto enorme. 
Difícil mesmo é saber qual palavra usar pra descrever tamanha alegria, diante do sentimento que explode dentro de mim, que fica nítido em meu rosto e que é possível ter contato com outras pessoas, não sei...
Mas quero dizer que te amo, e minha melhor escolha há cerca de 2 anos foi você, que escreve nessas linhas e nesse blog por tanto tempo, inspirando novos romances, acalentando aquele coração ferido, dando esperanças, eu já fui leitora e hoje sou recompensada sendo sua esposa. E que papel extraordinário você me colocou, é maravilhoso amar você, estar com você, enfim dividir a vida com você.
E caros (as) leitores (as) a felicidade existe e temos que buscá-la porque a recompensa é maravilhosa, mesmo diante do longo caminho que podemos percorrer até encontra-la, mas quando chega, ah isso não tem tamanho e nem explicação!

2018/04/14

Dia 2429



Sempre gostei dos sábados de manhã. Aliás, gostava dos sábados de manhã quando a sexta-feira a noite tinha sido boa. Quase sempre era porque no sábado de manhã o sol invadia meu quarto sem pedir permissão, trazendo luz em cima da cama, refletindo o lençol branco. O mesmo lençol que cobria parte do corpo dela, deixando exposta as pernas daquela que estava deitada de bruços abraçando um dos meus travesseiros. Aquele cheiro de mulher espalhado pela cama toda, misturado com sexo. Pra mim esse era o melhor cheiro do mundo.
Era quase que um ritual, eu levantava com cuidado para não acordá-la. Vestia meu roupão e descia as escadas para passar um café fresco. O andar debaixo ficava com aroma de café do interior. Subia de volta sem fazer barulho e me sentava á frente daquela cena. A xícara preta na minha mão. O ar quente subindo e se esvaindo no ar. A frente disso, lençóis brancos enrolados em algumas partes do corpo dela. Quase todas as vezes as pernas e as coxas ficavam descobertas. Quase todas as vezes estava sem calcinha e o desenho do quadril ficava a frente da janela onde a luz do dia invadia o ambiente. E eu ficava ali até o meu café acabar ou ela acordar.
Quando o meu café acabava eu voltava para a cama e ela me procurava com as mãos sentindo o movimento da cama. Deitava no meu peito e começava a falar sobre algumas coisas como viajar para algum lugar distante ou que deveríamos ter um filho. Que talvez seria interessante começar a vida em algum outro lugar. Que tinha idéias sobre isso ou aquilo mas no fundo sabia que nenhum daqueles absurdos ditos na cama sábado de manhã aconteceriam tão de repente.
Quando ela acordava antes, procurava pela presença do outro lado da cama e não encontrando abria os olhos. Eu deixava a xícara ao lado da cama e ia ficar com ela. Fazíamos amor enquanto o café esfriava. Quase sempre eu gostava quando o café esfriava.
Então eu tinha a minha cama, os meus lençóis brancos, meu café, minha garota e a nudez dela e a minha luz da janela. Eu não tinha o que reclamar, meu mundo estava bom. Até que um dia acordei sozinho, o café tinha acabado e só havia temporal batendo no vidro. E pra onde foram meus sábados tão bonitos? Por fim, ela acordou fazendo carinho no meu rosto. Disse que não aguentava mais esperar eu acordar porque fazia algum tempo que ficou me vendo dormir. Era uma segunda-feira. Então percebi que não era apenas meus sábados que ficavam bonitos agora. E obrigado por isso.

Dia 2428

Enquanto eu faço piadas todos riem. Mas ninguém sabe que quanto mais piadas eu faço, mais triste eu fico. Este diabo do porão está chutando o traseiro do meu anjo no teto. Igual aquela história do palhaço triste que vai ao médico. Ele chega ao consultório sem maquiagem e diz ao médico que se sente triste e pra baixo. O médico vira para ele e diz que há um novo circo na cidade e que ele deveria ir ver o palhaço Smile que é a atração principal.
- Você deveria ir vê-lo, ele te fará rir e se sentir melhor com algumas risadas.
- Mas Dr. eu sou o palhaço Smile.
A verdade é que ninguém reconhece as nossas guerras. Como iriam saber? Ninguém sabe que enquanto estamos fortes do lado de fora, na verdade tem um canhão apontado para nossa auto-estima atirando repetidas vezes. Não existe colete a prova de balas para isso. Então, se um dia eu ficar em silêncio por favor me ajude. Me faça rir também. 



Dia 2427


Nós éramos muito jovens. Muito jovens para fazer muita coisa, para ser outras. Muito jovens para saber, para compreender e para esperar. E o mal de ser jovem é ter a ilusão de que o tempo vai durar para sempre. Porque não dura, nada dura para sempre. Não estamos falando de idade, dizemos ser jovens porque é apenas um espaço de tempo que ainda não tivemos.
O sexo era bom mas não sabíamos como fazer amor ainda. Sair para se divertir era legal mas não sabíamos como apreciar a companhia um do outro ainda. O papo era legal mas o valor do silêncio era maior ainda. Presentes caros, lojas de grife, lugares exaltantes eram apenas coisas e puro status, um bombom sonho de valsa era o que arrancava mais sorrisos. Cada mínimo detalhe de hoje faria a diferença no ontem se apenas soubéssemos como fazer o que sabemos agora.
Ela usava sandálias de tira preta e mal sabia que aquilo um dia daria dor nos pés. Ele usava camisas de marca cara e mal sabia que um dia aquilo seria irrelevante. Lugares, pessoas, coisas e aos poucos quase tudo perdeu a graça. O traço amadurece, a letra, o tom de voz, as atitudes, os gestos, a palavra e a pessoa. Alguns valores se perdem, outros valores adquirimos. E nessa fenda do tempo, descobrimos que um dia vamos querer voltar no tempo para voltarmos a ser jovens mas com o que sabemos hoje. 
E hoje meu amigo, hoje somos jovens. Jovens demais para perceber que um dia teria fim. E teve.

2018/03/31

Dia 2426

Hoje o café quente caiu no chão. Eram seis e meia, muito cedo. Eu precisava do café, mas o café quente caiu, e meu pé, não queimou, mas quase. Hoje eu passei o sinal vermelho. O sinal que nunca fecha cumpriu seu papel de fechar, e eu, que não vi, passei. A sensação de que estava atrasado. Atrasado para onde? Um desejo imenso de ser pontual. Pontual para quem? Hoje eu chutei o chão como se fosse uma bola. Mas eu não jogo bola. Hoje eu chutei o chão como se ele fosse macio, chutei com o mindinho, coitado, tão pequeno mas ainda assim grita de dor como se fosse grande. Hoje eu quase comprei um livro que eu já tinha e eu não quero falar sobre isso. Hoje eu fui no supermercado e ao ir embora eu levei o carrinho, pensando não sei no que nem onde. Esqueci o carro estacionado e fui em direção à saída com o carrinho. A bolsa jogada, as compras, a criança e eu, até que um homem gritou "ei, não pode levar, volta aqui". Hoje eu queimei a carne na panela. O almoço, atrasado como eu me sentia, saiu às 16h. Meu filho não quis almoçar às 16h. O almoço, atrasado e queimado, ficou na panela mesmo. Hoje eu olhei o celular 30, 40, 50 vezes, esperando, esperando. Não sei bem o que fico aqui esperando. Hoje pedi arrego, pedi pra ficar sozinho um pouco. Hoje eu tive um dia que, com licença Leminski, mas haja hoje para tanto hoje. Hoje eu tive um dia dos infernos, porque parece, hoje eu tô quase acreditando, que tem mais de um. Hoje eu tive que lidar com tanta bagunça, por fora, por dentro. Hoje eu quase rezei.

2018/03/15

Dia 2425

Essa vai para você que está pensando em casamento, tenho que lhes dizer: Não se case hoje. Ou amanhã. Ou na semana que vem. Ou aquele plano que está sendo pensando daqui um ano e um pouco mais. Adie esses planos ou simplesmente mude eles. Vai por mim, não se case hoje.
Quando me casei um tempo atrás havia uma ideia fantasiosa sobre o que seria um casamento na realidade. A verdade é que as coisas são bem diferentes e não brigamos por toalha molhada em cima da cama ou jogo de futebol na tv. Nem o valor da conta de telefone e muito menos sobre a sogra. Com sinceridade mesmo tenho que dizer que casamento ás vezes parece não existir mais. A realidade é que hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar.
Ninguém aguenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade, já estou em meu terceiro casamento – a única diferença é que me casei três vezes com a mesma mulher. Minha esposa, no entanto, está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes do que eu.
Depois de incontáveis e inevitáveis arranca-rabos, a solução é amansar, se acalmar e contar o famoso "até 10" e partir de novo com a mesma mulher. Isso exige preocupações e cuidados que muitas vezes são esquecidos no dia-a-dia do casal. É preciso novos começos levando em consideração o que estava dando errado no antigo relacionamento. É preciso namorar, acarinhar, seduzir e ser seduzido. E o mais importante: Ver o que o "eu" como individual estou fazendo de certo e errado. Não pare de fazer o que está dando certo, mas definitivamente pare de fazer o errado. É uma ordem!
Não existe essa tal “estabilidade do casamento”, nem ela deveria ser almejada. O que ninguém te contou é que o casamento muitas vezes é montanha russa. O mundo muda, e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos. A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma “relação estável”, mas saber mudar junto para não cair do carrinho no próximo looping. Todo cônjuge precisa evoluir, estudar, aprimorar-se, interessar-se por coisas que jamais teria pensando fazer no início do casamento. Você faz isso constantemente no trabalho, por que não fazer na própria família? É o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo. Certo?


Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão: por isso, de vez em quando é necessário casar-se de novo, mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par. Ninguém vai te entregar um manual de como se faz essas coisas, ou dar qualquer dica válida que possa ser aplicada de imediato entre vocês dois. É como escolher feijão, são vocês dois escolhendo suas atitudes, suas palavras e acima de tudo suas decisões. Lembrando-se sempre que o amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. C: 13:4-7 e assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. - IC: 13:13


2018/02/25

Dia 2424

Temos que respeitar o modo de amar de cada um. Ás vezes olhando pelo buraco da fechadura ficamos vendo o que acontece na vida dos outros e julgamos que é errado ou que absolutamente parece um absurdo tudo aquilo. Mas antes do julgamento devemos nos perguntar: Essa pessoa esta feliz? 
Talvez aquela situação para nós na nossa vida não é cabível, admissível, concreto e dentro do nosso universo ser uma realidade. Pense fora da caixa! Olhamos o outro e em meio ao caos e ao absurdo essa pessoa sorri, esta feliz e não esta reclamando de nada. Na verdade ela tem mais histórias para contar do que uma criança que voltou da escola no seu primeiro dia de aula. Ela se encontra em um estado físico e mental muito bom e notável a todos que convivem com ela. "Você esta bonita hoje", "Você emagreceu" - As mulheres adoram essa. E de modo algum a vê chorando pelos cantos. E o sexo, ah o sexo!
Por outro lado com sorrisos cada vez mais raros e sem poder de contagiar, com impaciência ao invés de brincadeiras e um torturante silêncio onde deveriam existir palavras e palavras, cada vez mais pessoas vivenciam a solidão a dois. São olhares vazios, pensamentos dispersos e uma sensação enorme de “tanto faz”. Na mesa do restaurante, o casal insiste em prestar atenção exclusivamente às telas de seus celulares. Enquanto caminham nenhuma palavra sai de seus lábios, e na despedida um beijo frio. No sexo, por não exigir diálogo, as coisas fluem um pouco melhor. Mas ainda assim é insuficiente. O relacionamento, contudo, é mantido. Talvez por conveniência ou talvez porque essa realidade basta. Existem pessoas que se contentam com o básico e outras que temem a solidão mais do que qualquer outra coisa. Elas não percebem, porém, que estão sozinhas, apesar de terem uma companhia. 
Parece contraditório, mas não é. Soa como se as pessoas, com medo da solidão, resolvessem ficar sozinhas juntas. Assim é formada uma multidão de almas vazias, de corações partidos e mentes desencontradas. Ficam inconformadas por aqueles que dizem que até o céu muda de cor quando estão amando. “Porra, o céu é azul. Sempre foi e sempre será”, concluem. Mas é mentira. O céu é da cor que querem aqueles que não sentem uma solidão esmagadora, estejam acompanhados ou não.
E assim assistimos relacionamentos começando e terminando dia após dia. Não haveria problema nenhum nisso, afinal, nossa existência é efêmera, e somos feitos de dúvidas e erros. O problema é assistir o seu relacionamento começar e acabar e ainda assim não aprender nada de valioso com ele. E sabe por que não? Porque vocês não estavam juntos. Apenas estavam sozinhos no mesmo lugar. Deus me livre de algo assim!
Com o tempo algumas coisas vão perdendo a graça para falar a verdade. Lugares, pessoas, coisas e até sentimentos. Você sabe, eles dizem que uma hora tudo vai acabar. Que as coisas ruins vão passar e que a tristeza vai cessar. Eles dizem que vai tudo ficar bem, que os muros que cairão vão ser reerguidos com novas estruturas mais fortes e resistentes dessa vez. 
Com o tempo amor passa a ser "Eu lavo a louça, arruma o quarto ai" e "cócega não!". Ainda "olha pra mim, eu tô falando" e "eu to carente, você não vai fazer nada?". Também o "estou esperando você largar esse jogo ai e ficar comigo" e "vai tomar banho pra gente ficar junto". "Te trouxe o café" - essa é a melhor. "Toma cuidado, volta rápido pra casa" e "Vou buscar o café da manhã". Aquela de "vou dormir ai hoje?" e "vai me avisando, to saindo de casa agora". "Já deu o biscoito da cachorra?" e "onde a gente vai comer hoje?" também podem ser usados. E os famosos "essa roupa não esta muito curta não?" e "essa roupa não combina". Por fim, "só me abraça".

2018/02/18

Dia 2423

Isso não é sobre você, nunca foi.
Nem sobre as vezes que paramos na fila do supermercado e eu sabia exatamente qual sorvete você olhava dentro do freezer. Nem sobre o nervosismo nos primeiros dias que foi dirigir e não sabia ao certo fazer uma baliza. Ou sobre seu gosto por bandas que tocam música Folk. Por falar em músicas, esses dias tocou na playlist aleatória aquela famosa Snuff enquanto eu estava no farol e nem percebi quando ficou verde até começarem a buzinar pra mim. 
Também não é sobre o fato de você tropeçar na calçada com frequência ou sua risada ser mais alta que a minha quando a piada era realmente engraçada. Ou ainda o fato de você ficar linda sorrindo. E não, definitivamente não, quando acordava com seus cabelos estavam lá no alto. Na verdade isso era engraçado.
Também não tem nada a ver com eu gostar do desenho dos seus lábios quando passa batom vermelho ou o formato dos teus dedos da mão. Ou sobre a sombra do seu corpo nu quando da luz na janela lateral do quarto de dormir vem a lua iluminar aquela cama. 


Mas também entendi que depois me canso, tá tudo bem em ir embora. Já estou um pouco acostumado com isso. Fico olhando toda aquelas trilhas criadas no meio da praça, no meio da grama, é como se uma multidão passasse por lá todos os dias e passasse com pressa, é isso que tenho que entender também. Que as vezes as pessoas passam com pressa e não se pode fazê-las se acalmarem.  É meio perturbador no começo, eu me sinto bastante sozinho ainda, mas a gente passa a se acostumar com isso, assim como nos acostumamos com os barulhos no meio da madrugada ou aos gatos fazendo barulho em cima do telhado. Volte para casa ou para qualquer lugar em que sinta-se bem, não encha a cara, não rebole a bunda, se permita ficar sóbrio e aceitar que algumas pessoas estão com pressa demais para nos esperar ou até mesmo, sei lá, fazer qualquer coisa.
Isso não é sobre você, nunca foi.


2018/01/20

Dia 2422


Você chegou e esqueci de perguntar se era para ficar. Fiz café...
Daqui um ano ou dois, quem sabe? Sempre foi de planos e histórias. Embora eu seja mais frases e momentos, entendo ela. É a intensidade cara, o foda é que ela é intensa demais e por isso acha sempre que não esta sendo correspondida. É meio difícil chegar ao grau que ela espera que eu alcance. Eu tentei. Mas quer saber o que estou pensando agora? "Quantos sorrisos dela eu não estou vendo agora?"
Eu apareci de novo e mal sabia que ainda havia espaços meus aqui. Não se assuste! Afinal, preparei o café e não a minha vida. Não sabia se era pra ficar ou apenas de passagem como da última vez. Me desculpe, eu quis ir embora antes. Mas há coisas minhas aqui ainda. Quem sabe eu tenha aparecido para pegá-las de volta ou apenas ver como estão as coisas. Não quis tocar a campainha então peguei a chave debaixo do tapete. E meu Deus, aqui ainda continua tudo uma bagunça danada. As coisas estão fora do lugar na cama, na estante e no seu coração.
Quem sabe um jantar, mas um jantar romântico em um restaurante legal. Mas antes, eu ajudo a colocar os móveis no lugar e arrumar essa bagunça. O que você andou fazendo enquanto estive fora garota? Há mágoas dentro da dispensa, medos no cofre e debaixo do tapete. Abriu as portas da sua mente e acabou se tornando tudo aquilo que eu queria, certo? Vista-se, coloque aquele vestido vermelho. Ficar despida é para depois do jantar. 
Desculpa por estragar seu escritor favorito e aquela banda nova que me apresentou algumas das músicas que hoje são as minhas favoritas. Desculpa estragar as lembranças que estão no seu quarto, na garagem do apartamento e no restaurante formoso e bonito do centro da cidade. Desculpa estragar o significado do risco da sua pele, daquele seu colar legal e do parque de diversões. Desculpa por deixar de fazer parte da fotografia naquele porta retrato, por te deixar um cheiro no seu travesseiro e pela falta de guerras de almofada.
Desculpa por te deixar assustada toda vez que a porta do carro bate, pelo choro sentido e pela trilha sonora triste. Pelo trauma, pelos soluços acompanhados das lágrimas e por mais esse monte de coisas que de vezes insistem em aparecer na sua memória como aromas, gostos, jeitos e até as frases feitas.
Desculpa, fomos â reticência da nossa própria história. Saudade é a masturbação passiva dos que não sabem que a natureza é suficientemente variada para que não haja a necessidade de voltar atrás. 
Mas eu fiz café. Eu também não sabia...

2018/01/13

Dia 2421

Se você esta sozinho com seus quase trinta. Ou se chegou na casa dos trinta também. Não importa. Olha para o lado e vê a maioria das suas amigas casando, tendo filhos. Ás vezes até mais de um. Vê essa estabilidade de família, emprego, carro, casa e parece até que essas pessoas tem uma vida perfeita que poderia ser descrita na letra de uma música. Por outro lado, você vê alguns amigos viajando muito para lugares incríveis, outros passando a noite em bares e todos sorrindo com o copo na mão. Tem alguns que saem tanto que não da para acompanhar quem são as pessoas ao lado deles nas fotos. A vida então parece uma festa.
No meio desses dois cenários esta você. Sozinha. Sentada no sofá de meias e com sorte olhando para seu cachorro deitado por perto. Se apega a leitura e compra alguns livros pela internet. Lê metade deles. Se apega a filmes e compra uma dezena. Assiste a todos nesse mesmo sofá vestindo moletom porque é confortável. Alguns convites para chás de bebês e balada aparecem mas isso ás vezes parece tão chato. Não sair de casa parece a coisa mais sensata a se fazer aos finais de semana depois de arrumar as roupas amassadas tiradas do varal e tirar o pó da estante.
Precisa de um up. Decide várias coisas ao mesmo tempo. Que vai aprender a tocar algum instrumento, que vai iniciar algum curso, que vai aprender a fazer artesanato assistindo video aulas no youtube. Qualquer coisa que preencha o espaço de tempo imaginário dentro da sua cabeça. Ai você coloca na cabeça que precisa fazer algo da vida e começa a academia. Ser fitness, melhorar o corpo e quem sabe isso chama a atenção de alguém no trabalho ou dentro do mêtro. Quem não gosta de ser admirado por aqueles três segundos e meio ao olhar de um estranho? Muda o cabelo, investe na maquiagem e roupas que chamam atenção. Ou qualquer coisa que te faça ser notada porque, que droga ein... Parece que mesmo fazendo tudo isso ainda é invisível.
Aparece um ou dois que a primeira aposta é que essa pessoa é diferente ou que, realmente é uma atenção especial. Por fim descobre que era apenas sexo. Por fim descobre que o vazio ainda não foi preenchido nem pelas horas de academia nem pelo aplicativo do celular que te fez conhecer essas pessoas novas. Nem pelo último passeio no final de semana. Nem pela leitura do último livro. Muito menos pelo último filme. Então você olha para o cachorro sentado nos seus pés como se ele fosse te apresentar uma resposta óbvia pelas perguntas que sua cabeça anda te fazendo do porque se sente tão sozinha.
Se apega a religião. Se apega a uma amiga em particular. Se apegar em trechos de Martha Medeiros e Paulo Coelho. Se apega por fim a aceitar que na vida então é melhor estar sozinha do que se preocupar com todo o resto. Abraça a solidão como se fosse o melhor amante e aceita esse status de "melhor estar sozinha". Quem nunca? O fato é que não importa sua nova tatuagem, sua transparência na internet como se estivesse se sentindo a poderosa por estar sozinha ou a mudança radical no cabelo que fez no cabeleireiro que a colega do trabalho indicou. Entende? Nem mesmo se aparecer alguém legal. Nada disso preencherá o vazio dentro de você se você mesma não fizer isso. Minha dica (se é que posso dar uma) é: Faça amor consigo mesmo. Você só vai estar preparada a receber da vida uma outra parte dela, no momento que você não precisar de nada vindo externamente.  Seja companhia de outra pessoa ou qualquer coisa como aceitação, popularidade, reconhecimento e atenção.
Saiba quem você é. Descubra do que mais gosta se são ovos mexidos ou de gema mole. Encontre algo que goste realmente de fazer e faça isso sempre seja ler um livro ou tocar violão. Ou malhar, que seja! Tenha algum hobby. Você não mais se sentirá sozinha e estará preparada a receber alguém na sua vida. Pode ser que erre uma ou duas vezes ainda, mas vai conseguir uma hora identificar a pessoa certa. Aquela famosa metade da laranja e essa pessoa vai te fazer esquecer porque não deu certo com nenhuma outra mais porque vai te mostrar a parte mais bonita da vida que é poder compartilhar momentos. Essa pessoa vai ser seu back up, seu rascunho do texto mais bonito. Vai ser a testemunha da sua vida.

Por mais que o tempo pareça estar passando depressa demais e que esteja te deixando para trás, tenha calma. Você vai ficar bem. Só precisa ter um pouco mais de calma. As coisas vão acontecer para você, não se precipite. Alguém, em algum lugar esta esperando por você. Mas no tempo certo, na hora certa. Pode confiar. Você não esta sozinha. Dedico este texto aos sozinhos que sabem que são sozinhos. Que entendem seu lugar no mundo porque fizeram dele um espaço para se esconderem. Aos que, por vontade própria ou não, passaram por esse ano criando seu próprio caminho de reconstrução, de amor a si mesmo, de aprendizados e certezas incertas. Ser sozinho não é tarefa fácil. Às vezes a gente quer ter com quem estalar o peito, rir das piadas mais inconsistentes possíveis, ver Netflix agarradinho, observar o outro dormir e agradecer por poder partilhar a existência. Ser sozinho é uma tarefa que requer pulso firme. Pra aguentar a carência. O desamparo. O desabrigo. É claro que os amigos existem e estão ai pra nos provar que é possível viver sem um amor, mas convenhamos: é que  um carinho às vezes cai bem. E cai melhor ainda quando o carinho é mútuo, porque aí o coração aumenta de tamanho e ambos passam a experimentar o gosto que é estar, literal e metaforicamente, juntos. Nesse processo sofrido e espinhento que é tentar entender por que a-grande-pessoa ainda não veio. Nesse árduo caminho de assimilar que estar sozinho significa que estruturas internas estão sendo remodeladas. 

Este texto é um recado: tá tudo bem se você terminar mais esse ano sozinho, sem ninguém. Por vontade própria ou não. Por sorte ou azar. Por uma opção sua ou do universo. Você está exatamente onde deveria estar e esse texto é um brinde a nós.
E uma última coisa: a pessoa mais importante, sempre, nesse processo todo já chegou e está aqui. Esse alguém é você. 


2018/01/06

Dia 2420

Parei o carro no meio fio. Aquela coisa de "você precisa de cinco minutos aqui dentro antes de entrar em casa". Sem ninguém falando, sem nenhuma preocupação. Sem nenhuma obrigação. O programa do rádio falando qualquer coisa desimportante. A visão a frente são as luzes do painel e a iluminação amarela da rua. O chão úmido da recém chuva caída na tarde de terça-feira. Gotas respingadas no meu para-brisa. Tem a chave no contato, tem meu cigarro nos dedos e a mão para fora da janela. Tem os números da estação de rádio. Tem o terço pendurado no retrovisor. Tem o aromatizante de ambiente entre os bancos do motorista e passageiro. Tem uma mensagem não lida na tela do celular. Tem a minha cabeça no encosto do banco. Parece que metade do mundo enlouqueceu e a outra metade não se importa. 
Claro, eu faço planos, mas não quero ir. Faço planos porque sei que deveria ter vontade de fazê-los. Invento idéias de festas porque sei que deveria socializar mais, mas não queria tê-las. Não é fácil deitar na cama para relaxar os músculos e se ver tenso, rígido, nervoso por coisas que ainda não aconteceram, por coisas que eu queria que acontecessem e por tantas outras que sei que, humanamente, são impossíveis de acontecer. 
Existe uma coisa, uma coisa sem nome e sem forma visível. Essa coisa acontece quando eu passo da porta para dentro de casa. É como se nessa hora ligasse um botão e as luzes fossem acendendo simultaneamente até o sorriso dela. Nessa hora o ambiente todo fica iluminado. Minhas bochechas estão sintonizadas com os lábios dela. Então toda vez que ela sorri para mim, minhas bochechas se separam, respondendo também com um sorriso.
É bem difícil achar interesse em algo hoje em dia ou que alguma coisa prenda minha atenção por mais de trinta segundos. Mas com ela, qualquer coisa pode levar dias, horas que mesmo assim vou ter o mesmo interesse dos primeiros dez segundos. Observar ela comendo é um passatempo interessante e vê-la dormir é a coisa mais bonita que existe. Observar ela se trocando é a cena mais gostosa que tem e por fim, andar de mãos dadas com ela é o caminho mais incrível que posso fazer.
São cinco minutos dentro do carro pra deixar o mundo inteiro do lado de fora de casa e quando passar por aquela porta, abraçar meu mundo mais bonito sem peso nenhum, sem dor nenhuma. Ser apenas eu e meu mundo sorrindo. Quantas pessoas tem a sorte de ter um mundo bom desse?


2018/01/05

Dia 2419

Eu estava lendo "Maktub" de Paulo Coelho esses dias e me deparei com o seguinte crônica: Do Chá
"No Japão, participei da conhecida “cerimônia do chá”. Entra-se num pequeno quarto, o chá é servido, e nada mais. Só que tudo é feito com tanto ritual e protocolo, que um a prática quotidiana transforma-se num momento de comunhão com o Universo. O mestre do chá, Okakusa Kasuko, explica o que acontece: 'a cerimônia é a adoração do belo e do simples. Todo seu esforço concentra-se na tentativa de atingir o Perfeito através dos gestos imperfeitos da vida quotidiana. Toda a sua beleza consiste no respeito com que é realizada.' 
Se um mero encontro para beber chá pode nos transportar até Deus, o que dizer das outras oportunidades que acontecem todo dia — e não nos damos conta."
O nosso frenesi não nos deixa aproveitar o simples. Quando foi a última vez que você se sentou em algum banco de praça ou parque ou qualquer outro lugar que seja, sem se preocupar com horários ou dentro da sua cabeça alguma obrigação ou coisa? Quando foi a última vez que desligou seu e-mail, telefone e messenger? Qual a última vez que ouviu sua música favorita, aquela que te faz pensar longe em outras coisas que não sejam seu trabalho, suas obrigações com família e amigos? Quando foi a ultima vez que tirou um tempo para você? Que desenhou na última folha do caderno, que cantou a música que tocava na rádio? Esse tipo de coisa é como se concentrar em uma oração. Você tem que tomar muito cuidado para que a cabeça não te leve a sua prisão diária de afazeres e obrigações. Não estou dizendo que devemos ser relapsos e relaxados, jogar tudo para o alto. Mas você, individualmente precisa de um tempo.



Quando se deparar com o reflexo do espelho não brigue com ele porque notou uma nova ruga e não foi avisado. Ela apareceu ali muito antes de você voltar a se olhar no espelho para reparar nos seus próprios detalhes. Não adianta relatar onde esta e o que esta fazendo em meio a mídias sociais se não esta revelando as fotos da viagem para mostrar a filhos e netos daqui e vinte, trinta anos. Porque o tempo, ele é seu amigo e inimigo ao mesmo acaso.
Isso tudo me faz lembrar de uma história de um homem que quando criança, reparou num casulo preso a uma árvore, onde uma borboleta preparava-se para sair. Esperou algum tempo, mas — como estava demorando muito — resolveu acelerar o processo. Começou a esquentar o casulo com seu hálito; a borboleta terminou saindo, mas suas asas ainda estavam presas, e terminou por morrer pouco tempo depois. “Era necessária uma paciente maturação feita pelo sol, e eu não soube esperar”, diz o homem. “Aquele pequeno cadáver é, até hoje, um dos maiores pesos que tenho na consciência. Mas foi ele que me fez entender o que é um verdadeiro pecado mortal: forçar as grandes leis do universo. É preciso paciência, aguardar a hora certa, e seguir com confiança o ritmo que Deus escolheu para nossa vida”. 
Queremos fazer vida em um dia e perdemos a mesma em semanas trabalhando loucamente. Queremos resolver um problema causando outros três, quatro. Tenha calma, seja confiante. Tudo vai acontecer, não tenha pressa. Abra mão do controle que você acha que tem. A vida nada mais é do que um fluxo constante como um rio que não para de seguir seu caminho mesmo com os obstáculos a frente. Seja simples, o simples é bem bonito. Tome seu chá!

Dia 2418


Não tenho mais religião. Fui educado para ser católico quando criança e fui batizado mas com o passar do tempo conheci outro caminho de ser crente. Mais adiante me desprendi disso e segui sozinho e até que esqueci como se rezava. Em outra parte da minha vida fiquei muito próximo do espiritismo mas não segui esse caminho também. Por fim, o Budismo me fez conhecer muitas outras coisas sobre mim mesmo. Não segui por ai, acabei voltando para o caminho de ser crente e me batizei novamente antes de casar. E após tanto conhecimento me desprendi de formalmente me considerar um crente, cristão, espirita ou budista. Sou batizado na igreja católica e na crente, tenho um elefante indiano tatuado no meu braço e uso uma corrente com o pai nosso escrito no pescoço, e dai? Eu não encho o saco de ninguém e não importa se você reza para o seu santo ou fala em línguas. Se for gentil comigo, eu vou ser gentil com você também.
Mas, com o passar do tempo, comecei a ver que o caminho espiritual é uma constante renúncia. Temos que superar nossa inveja, nosso ódio, nossas angústias de fé, nossos desejos. Ter o discernimento do que é fé e o que é a sua cabeça fantasiando na sua consciência. Fui me livrando de tudo isto, até que um dia meu coração ficou vazio: os pecados tinham ido embora, e minha natureza humana também. Durante algum tempo aceitei isto, mas notei que não podia mais compartilhar da vida a minha volta. Foi então que larguei a religião. Hoje tenho meus conflitos, meus momentos de raiva e de desespero, mas sei que estou de novo perto dos homens — e consequentemente perto de Deus.
Aprendi a perdoar algumas coisas que julgava ser imperdoáveis. Aprendi a julgar menos também. Ainda erro, cometo erros sobrepostos dos erros antigos inclusive. Cometo erros novos e de vez em quando os mesmos erros porque ainda não aprendi certas coisas e tudo bem. Aprendi a caminhar pelas minhas próprias pernas. O que me faz lembrar de um velho ditado árabe: o pior de todos os passos é o primeiro. Quando estamos prontos para uma decisão importante, todas as forças se concentram para evitar que sigam os adiante. Já estamos acostumados com isto. É um a velha lei da física: quebrar a inércia é difícil. Como não podemos mudar a física, concentremos a energia extra e conseguiremos dar o primeiro passo. Depois o próprio caminho ajuda. 
Namastê

2018/01/04

Dia 2417

E quando o seu quarto amor te deixar você vai querer se matar, mas você não irá. Porque você não mais pensa em suicídio como uma casa que construíra algum dia. Ou no jardim que irá cultivar e até na sua varanda gourmet no sétimo andar. Esse foi seu quarto, mas primeiro amor verdadeiro. Que te trouxe paz quando o seu corpo inteiro era uma arma. Que te fez entender que algumas coisas que pareciam fantasia podem ser reais e outras que podem permanecer inexistentes nesse mundo. Então, isso é o paraíso. Saber que alguém decorou a cor da sua iris ou que você tem um tique quase que imperceptível. Que alguém, por algum momento na história dessa pessoa amou você por esse pequeno detalhe quase que invisível. Saber, que por uma fração de segundos o seu detalhe que é só seu não foi invisível para alguém.
Talvez você tenha um jeito desconcertado e tímido de ser. Talvez você não saiba direito o que fazer com as suas mãos e tudo bem. Alguém vai amar você por isso. Um dia você se imaginou no futuro, uma versão melhor de você mesma. Vai estar olhando esse momento, encolhendo os olhos e sorrindo. E dizendo a si mesma que sabia de tudo e que todo trabalho valeu a pena. É parecer pequena, mas ser grande sentimentalmente. É parecer medrosa mas ter uma coragem absurda. É parecer intocável e saber que pode ser casa, abrigo. Lar. É parecer não ser ninguém mas ser tudo. O tudo de alguém.


2018/01/01

Dia 2416

Houve um delay, ninguém sabe o que aconteceu. Mas vamos começar pelos detalhes, eles são muito importantes para descobrir o desfecho da história. Se quiser continuar a existir, faça algo. Aprenda a fazer nuvens apenas com a respiração. Construa uma casa, mesmo que cada parede se incline para a esquerda. Adore-a de qualquer maneira, apenas como uma estação do ano. Assim como uma criança. Ame como você se odeia às vezes, porque droga, pelo menos ainda há amor. Mas não há nada racional sobre o amor. O amor gagueja quando fica nervoso, as viagens de amor sobre seus próprios cadarços te confundem ás vezes. O amor é desajeitado. Eu apenas sei que o amor não é o mesmo que saber de tudo.
Quando eu digo "Estou me divertindo", eu também estou dizendo "Não posso imaginar estar em outro lugar". E até quando não digo nada, apenas queria que descobrisse as palavras secretas dentro da minha cabeça. Mas você não esta aqui dentro, esta? Bom, do lado de fora eu espero que o rádio sempre reproduza o que teria sido as suas músicas favoritas. Que tenha sempre café se você quiser. Que você esteja lá e que seja real.
Me desculpe, há dias que eu não consigo encontrar o sol mesmo que esteja á minha porta e a minha janela. Eu espero que um dia, virando a esquina ou após entrar em um restaurante tentando fugir da chuva eu encontre a parte da minha vida que falta. Exatamente como foi naquele dia. A primeira vez que a vi, tudo na minha cabeça ficou quieto. Mapeei a dedo tuas sardas e contornei sem jeito tuas linhas. Sussurrando para mim um mundo de luzes e cafés da manhã.
Se as nossas vidas são feitas dos momentos que nós deveríamos experimentar e dos momentos em que nós evitamos esses momentos, então a sua vida é construída desses momentos de fuga. Aqueles momentos no qual você estava realmente feliz ao invés de apenas dizer que você estava feliz. Então, somos bagagem. Aliás, a sua vida é feita de malas de viagem. Você é, de fato, uma mala de viagem. Você foi construído para segurar apenas o que você precisa. E, como o que você precisa se torna o que você precisava, você esvazia e preenche a si mesmo. E você veio aqui fora, na chuva, na maioria das vezes, bastante cheio.
Por fim, essa garota, essa garota do cabelo de sol e dedos constantes, essa garota cromática, essa garota que é o suficiente para te conhecer, mas, graças a Deus, não o suficiente para ser você. Essa garota está preenchendo o último não-desesperado-mas-antes-quase-não-impreenchível pedaço vazio de você.