
Sou aquilo que você chama de 'estranho', ou então um pouco de tudo. Tenho várias faces, como todos, e uso todas, ninguém é totalmente bom ou ruim. Muitas vezes fico fora do ar por uns minutos, viajando nos meus pensamentos e no meu mundo, de fora parece que sou uma doente mental em estado avançado, mas por dentro, ah, por dentro só eu sei o que se passa. Me encaixo no que chamam de 'metamorfose ambulante' pois mudo várias coisas em mim mesmo, mas não a minha essencia. Tenho sonhos, muitos sonhos e vou realiza-los, seja quando for. Existem várias tempestades pelas quais passei e pelas quais continuo passando, claro, existem, entre elas, dias ensolarados e com arco-íris, mas a tempestade sempre volta e deixa minha visão turva.
Tão esquisito, tão anormal, é assim que eu sou, embora ás vezes tente aparentar ser normal de longe pra passar despercebido, raramente consigo, sempre deixo escapolir algumas coisas excêntricas, olhares perturbados e movimentos desastrosos, aliás, sou ótimo pra quebrar coisas, e pasme, mesmo sem querer, me culpam por isso. É crime ser desastrado?
Tenho tantas sedes afetivas, tantas vontades que ás vezes parecem que não cabem em mim e que não cabem em apenas uma vida. Ás vezes penso em me libertar de mim mesmo, em fugir pra outro mundo, mas penso que, se estou nesse mundo, nessa cidade, nessa vida, deve ter algum sentindo, deve haver algum motivo que faça tudo valer a pena. Gosto de pessoas com um traço de loucura, anormalidade, peculiaridade, as normais me cansam muito rápido, aliás, eu canso muito rápido das pessoas mesmo, tem que ser muito especial pra não me cansar. É incrível, irônico, mas sempre tenho o mau costume de gostar de pessoas complicadas e distantes. Incansavelmente busco prazeres no dia-a-dia, e os encontro, mesmo que em pequenas coisas, passadas despercebidas pelos outros.
Quero muita coisa, quero morar em vários lugares, visitar vários países e conhecer o diferente. Eu digo que eu era sozinho. Mentira, eu ainda sou sozinho. E vou continuar sendo até que alguém consiga tocar o meu coração tão lá no fundo. Sim, eu amo pessoas, algumas, nem tanto assim, de perto, de longe. Sim, eu firo pessoas que amo e elas me ferem também, e isso é a lei natural da vida, se você não está disposto a ser ferido, se tranque.
Nos animais, durante todos os anos da minha vida curta, encontrei amizade, compreensão no seus olhares mais que sabios e profundos, amor, ternura, afeto, cumplicidade, e os respeito profundamente, porque pra mim, eles importam e são melhores que seres humanos.
E claro, vale dizer que não sou simpático, mas tento ser amável, afável. Eu pensei durante anos que sempre houvesse alguém me esperando em algum porto, mas não existe não, porque quem você encontra no final do caminho é você mesmo e só.
Mais uma vez me encontro no precipicio da minha vida. E fica a pergunta: Pula ou não pula?